quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Cair e levantar

Eu demorei pra voltar aqui porque nos últimos dias enfrentei uma bad le-gal. Uns dias sem querer sair da cama, uma preguiça do mundo, um choro incontido na madrugada ouvindo Solitude porque eu sou dessas.

Ninguém nunca me explicou o que é a maturidade, mas eu acho que é essa fase de aceitação pessoal na qual começo a entrar. E tá escrevendo aqui a pessoa que comeu krokitos no jantar mas que assume a sua culpa. Porque tudo na vida é consequência do que eu faço ou deixo de fazer - e, a não ser que você seja ryco bem novinho, não tem ninguém pra ir limpando as merdas que você faz. Você, somente você, é o responsável por tentar qualquer mudança na vida que você vive. Tem uma parcela aí  de fé, de deus, de sorte ou destino, mas não vamos entrar nessas questões, seja lá no que você acredite. Estou falando mais da parte realista e prática da vida, aquela entre pagar as contas, lavar os copos e se sentir adulta por pintar a parede da sala sem comunicar a ninguém.

Tá foda não ter com quem dividir esses pepinos do dia-a-dia, não ter quem abraçar na hora de dormir. Claaaaaro que eu tô sentindo falta do Maurício. Mesmo com tudo desabando, meus dias ficam melhores com a sensação de que ele pode ser achado no google maps, que o celular tem área e que está online no whatsapp. 

Profissionalmente, meu estado é confuso. Queria voltar a estudar, trabalhar menos, ganhar mais. É um triângulo difícil de fechar, principalmente quando o tempo não tá mais tão assim a seu favor e qualquer curso de três meses pode fazer toda a diferença nessa equação. Chegou a hora de investir no mestrado? Tentar ter filhos? Mudar de cidade? Casar? Comprar uma bicicleta? Na dúvida, eu fui dançar zumba, que não estava no script mas que tem sido um barato.

Quando eu tô nessas crises, que podem levar dois, três dias ou até um mês (fique atento a persistência dos sintomas), me ajuda pensar nas pessoas que me inspiram e tentar agir como elas agiriam. Em geral é difícil mesmo, porque as pessoas têm tempos e limites diferentes, mas tem dado certo até agora. No embalo da vida, não dá pra ficar refletindo muito. É correr buscando coragem e leveza - nada ruim pode durar tanto.

Acreditando que seguir em frente é sempre a melhor opção, eu fui. Mas acho que acelerei o passo demais. Como uma rasteira da vida, eu levei uma queda digníssima no meu trabalho - com direito a vídeo, plateia, e povo mangando.

NA TELAAA:


O chão é um lugar absurdamente horrível de ficar - quando se chega a ele sem querer. Você olha para os lados desconcertada e pensando 'como diabos eu vim parar aqui?'.

E, às vezes, mesmo que ninguém lhe estenda a mão, é preciso aprender a levantar.