domingo, 10 de agosto de 2014

De onde vem a força





Não me perguntem de onde eu tenho tirado essa força. Eu realmente não saberia responder. Teve uma madrugada aí que houve aquele descontrole. Um choro com falta de ar, o peso do mundo aqui dentro do peito doendo. Uma tristeza profunda e por motivos aparentemente sem sentido. "Aah ele nunca mais dormiu na rede dele", esse tipo de coisa e tal.

Tem um pouco de inconformismo aí, tem desamparo, tem dor, tem angústia e até culpa também. Mas  tem muito, e, principalmente, saudade. Saudade das manias, dos trejeitos, do sorriso, do abraço, da acolhida, do bom humor, da mesa reunida pra almoçar. E é essa saudade tão grande e tão sem fim que tem me feito há uma semana trancar a minha sala de trabalho, todos os dias, quando todos saem pra almoçar, e aproveitar pra chorar baixinho. 

Queria agradecer a todos que me mandaram seus sentimentos. Que tiveram a disposição de ir ao velório ou missa, ou que tiveram a atenção de mandar mensagens, palavras de apoio e conforto que eu nunca vou esquecer. Cada ligação, whatsapp ou visita foi realmente muito importante para mim. Estou em milhares de cacos, e cada manifestação dessa é como se vocês tivessem me ajudando a catá-los para seguir em frente.

Mas hoje foi um dia alegremente triste. Dia dos pais era uma das maiores tradições na casa do vovô. Todo mundo reunido pra comer bolo, conversar e vê-lo felizão com aquela casa cheia de gente. Onde quer que meu avô esteja, sei que um grande desejo seria ver a gente unido, então fomos, eu e minha irmã, almoçar na Santa Luz com o meu pai. Acordei cedinho no domingo e peguei a estrada, dirigindo pela primeira vez o caminho para aquele lugar que por muitos anos foi o verdadeiro refúgio e paraíso do meu avô. 

Como todo dia de viagem, vovô estaria pronto bem cedinho da manhã, daquele jeito discretamente ansioso que ele ficava. Como todo dia de festa, estaria feliz e arrumado só na pose, despretensioso dizendo "eu não gosto muito de festa", mas no fundo morrendo de vontade da chegada de todos. Os presentes estariam todos sobre a cama, marcados com o nome de cada um que ele mesmo escrevia de caneta. E os cartões, sem dúvida alguma, sua parte preferida, ele leria no dia seguinte, com um sorriso tímido e emocionado.

Eu fiz isso tantas vezes, mas hoje, especialmente hoje, eu daria qualquer coisa pra abraça-lo de novo.

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