sexta-feira, 4 de abril de 2014

Doce solidão

Este é um post inteiramente dedicado a atividade de estar só.

Foi em algum momento, entre o tomar banho, pentear o cabelo e botar uma roupa limpa, aquele ritual todo solitário de autoconhecimento, que me peguei pensando em como estou feliz. Como é bom ter uma casa. Com é bom estar sozinha em casa. Como me realizo, todos os dias, ao sair do trabalho e, sem mais nada pra fazer no dia, pensar 'estou indo para a minha casa'.

Essa semana o Mauricio viajou e mesmo com a boa vontade de minha mãe em me fazer companhia, preferi ficar sozinha para escrever. Foi minha MELHOR experiência em muito, muito tempo. Ficar sem ouvir a própria voz por horas. Esquentar a sobra da comida chinesa na certeza de que ninguém a comeu. Jantar assistindo o superbonita ensinando o delineado perfeito. Não ter ninguém pra entrar no banheiro de manhã antes de mim. Tomar café na xícara do Portinari que eu sempre quis. Saber que, não importa o que aconteça, tudo estará no mesmo lugar onde eu deixei.

Antes de sair de casa eu tinha PAVOR de ficar só. Na minha cabeça, todos os piores acidentes domésticos do mundo aconteceriam justo quando não houvesse alguém por perto. Em alguma época da vida impressionei-me com isso (talvez vendo Premonição demais) de modo que já tinha feito a minha lista: choque com secador de cabelo, queda no banheiro ou uma explosão ao fritar batatas. De algum modo, era assim que eu morreria.

Passada a paranoia, - pois, síndrome do pânico: não trabalhamos com - digo que estou in love com essa liberdade. Liberdade de uma cama king size para me esparramar e ninguém por perto pra impor limites. Liberdade de poder ir a qualquer lugar, a qualquer hora e entre todas as opções mundanas, escolher ficar aqui na minha casa.

Não pensem que faço pouco gosto de companhia. Ter com quem dividir a vida é maravilhoso. Mas faz parte de qualquer tipo de amor sentir saudade - não da convivência ou das coisas que alguém faz por você, mas de tudo que aquela pessoa representa dentro do seu solitário mundo . A ausência da presença de um amor deixa um buraco enorme.

E no meio de toda essa reflexão eu fiquei doente. Surtei um dia num fast food, fazendo uma das poucas coisas no mundo ruins de serem feitas sozinha: almoçar. Com enxaqueca, tosse, choro e tudo, achei que ia morrer ali, vendo apenas rostos desconhecidos. Foi como experimentar, pela primeira vez, o doce amargo da solidão.


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