quinta-feira, 28 de novembro de 2013

desilusões de amigo-oculto


Um constrangimento: amigo-oculto de colégio. A criança compra a barbie do ano pra dar de presente e ganha uma garrafinha térmica do 1,99 daquele malíssimo colega da turma. Com motivo de um desenho infantil qualquer que ela por acaso odeia.

"O meu amigo-oculto me empurrou da escada. Eu detesto ele", diz a menininha antes de arremessar o presente no colega de uma distância possível de correr seguramente antes mesmo que ele aparasse o embrulho. Todos sorriem e só ela esbafora na carteira. A tia manda abraçar pra foto. Ela se nega e está tudo bem.

Aí sempre tem aquele que esquece o presente. Não deu tempo comprar, esqueceu em casa, o cachorro comeu - todas essas são desculpas para provar que o pai é um escroto e não tá nem aí pro climão que o filho vai causar na turma. As professoras, coitadas, se desdobrando pra amenizar a ingrata situação do coleguinha sem presente: "Fulaninho, é que o presente que o Beltraninho comprou pra ti é tão massa, tão grande, que não coube no carro! Ele vai deixar na sua casa outro dia, pode ser?".

É pior do que esperar o papai noel. Tia da turma eu fosse, não poupava ninguém da real:

- É isso mesmo, minhas crianças. A vida é esse looping eterno de frustrações.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

pra nóis dois morá



Bem que já diziam: deus fecha uma porta e abre uma janela – mesmo que essa janela seja sasazaki em um flat com 32 m². Estou quase de mudança. 23 anos, dois empregos, uma tatuagem por fazer e calo no pé de tanto procurar uma casa pra chamar de minha.

Meus dias estão divididos nessa correria que é trabalhar, olhar imóveis, terminar artigo de universidade (ufa, já deu). A rebeldia adolescente tardia bateu a minha porta e eu abri. Longe de casa há mais de uma semana e sem intenção de voltar.

É curioso perceber a frieza dos corretores que te atendem, atrás de mesinhas de escritórios, tomando café, atendendo telefone e falando do local que você escolheu para viver como um vendedor de seguros. A maioria deles conhecem os imóveis tanto quanto eu - pelas fotografias do site. Eu vou MORAR ali, não me interessa muito suas condições de locação. Me interessa saber se pega sol a tarde, se as trancas das portas são ok (traumas com fechaduras: eu tenho) ou se o vizinho do 201 gosta tipo de ouvir Paulinho Paixão.

Enquanto não me mudo, vou gastando o tempo ócio para organizar um chá de casa nova (o fato de não ter ainda a casa nova é só um detalhe). Também não tem chá. E também não tem lista. E também não quero encher meu flat de quinquilharias compradas pelo gosto duvidoso de pessoas que vão só para comer salgadinho. Pensando bem, esquece o chá.

Tô tomando gosto pela coisa. Brincar de casinha a princípio parece mais caro do que imaginei.

Mas tudo bem. Estou disposta a pagar o preço necessário para viver em paz.