segunda-feira, 15 de abril de 2013

- de todos os loucos do mundo

Sou uma garota de sorte. Me dou bem com a minha sogra, minha varanda é ventilada, tenho avós vivos e uma compota de doce de leite me esperando em casa. E trabalho na revista mais pop do momento. Mais do que a revista pop, minha sorte grande são as pessoas, esses malucos com quem trabalho.

Vai pro manicômio quem quer - os loucos tão tudo aqui fora. Há um ano, quando eu nem usava a palavra revestrés, dois deles vieram me procurar. Hoje eu vivo isso, todos dias, e descobri que a Revestrés é mais do que um vocábulo do meu bom e surrado piauiês, mais que uma revista. Revestrés é um estilo de vida.

Dora, a mulher das frases

Eu sempre fui de revestrés. Mesmo antes de saber. E acho que todos da equipe, somos, um pouco, assim ao contrário. O Wellington começa a ler o livro pelo final. Já André, odeia tanto os finais que tá sempre começando. Maurício tem uma sequência lógica no banho que começa sempre pela barriga. Adriano gosta do site de revistas rurais. O computador portátil do Alcides tem 24 polegadas. E a torta preferida da Samaria é de côco e ameixa. Eu? Eu faço samba e amor até mais tarde. E tenho muito sono de manhã.

A Revestrés, há um ano, é o meu maior prazer e dor. Já entrei pra lista laranja do André, já tentei jogar o Mauricio pela janela do carro e, silenciosamente, desejei morrer uma vez por mês, sobretudo nos dias de fechamento. Normal, minha vizinha boazuda e rica disse que deseja isso toda semana - e olha que ela nem faz revista.


A gente não quer mudar o mundo. A gente quer só pintar o muro.

O bom, o bom mesmo, é olhar pra cada capa e ver o quanto de história construímos até aqui. Quantos amigos fizemos? Quantas historias contamos? Cada edição tem por trás um momento particular e único, uma pasta no computador cheia de fotos e saudade do que acabamos de viver. As viagens. As discussões. As pizzas. Os biscoitos ruins da Sam. As piadas de redação que não posso nem devo compartilhar com vocês.

Houve quem dissesse, na nossa estreia, que não passaríamos do karma do terceiro número. E conseguimos, vamos para a 8ª edição. Desculpa Feliciano, mas nosso orixá é forte. Sei que ainda sou tão verde pra tanta coisa, e eu quero tudo, e tudo eu quero muito, e quase sempre eu percebo que não sei de nada. Só agradeço a Revestrés por me permitir ser do jeito que eu sou, pela chance de acertar e de errar e de tentar tá sempre recomeçando nesse mundo de loucos - de loucos uns pelos outros.