terça-feira, 17 de dezembro de 2013

16 de 24

24 anos completados ontem e a grande conquista dessa idade é virar dona de casa. Adianto a você que não é surreal. Nem mágico. Nem emocionante. É somente e apenas cansativo.

Ok, falando assim pareço mais negativa do que costumo ser, mas é que, de fato, nunca pensei que ter uma casa fosse algo tão trabalhoso, embora reconheça as circunstâncias que me levaram a viver dias intensos. Primeiro porque fiz em 4 dias uma mudança que a maioria leva meses planejando. Segundo porque escolhi a dedo um período nada conturbado, sem festa-confraternização-aniversário, que se chama dezembro. Misture tudo isso à ansiedade de deixar as coisas todas em seus lugares e finalmente a casa com cara de casa.




Ilusão. Eu poderia aqui fazer um guia para donas de casa de primeira viagem. Fica pra um próximo post. Vou me ater aos fatos que contradizem tudo que você já pensou um dia sobre ter uma casa nova. 

Olha, vai demorar alguns dias até que você sinta-se em casa. No sentido de se sentir bem, confortável, segura, instalada. No sentido de não querer estar em nenhum outro lugar que não ali esparramada num pufe e com os pés em cima dum tamborete. 





Vai demorar pra tua casa ter um cheiro de casa. Pelo menos umas 3 ou 4 faxinas, isso é certo. Não poupe detergente, desinfetante, e muito rebolado pra passar pano no chão e fazer aquele cheiro de construção, de carambolo morto, abandonar o teu espaço. Digo isso porque estou no 6º dia abaixo daquele teto e acho que só agora me sinto iludidamente a primeira habitante oficial. Vacilo meu, os cupins chegaram primeiro.

Eles já estavam ali, dispostos a lutar pelo seu pedaço de terra, antes mesmo da gente chegar. Logo no nosso banheiro. Logo ali pertinho do quarto (porque nada ali é longe). E tem sido dias de batalhas em vão. Cansada do ritual veneno-vassoura-desinfetante, compreendi que os cupins só querem também um lugarzinho pra chamar de seu e lamentei que fosse justo a nossa porta.


Passamos 3 dias sem água no pós-mudança. Naquele período maravilhoso em que tudo tem que ser desencaixotado, lavado, enxugado antes de ser usado. E não tinha água. E não tinha banho. E a prioridade passou a ser voltar sempre pra casa com uma pet 2 litros cheia de água potável pra seca do apartamento 01. Frustração define o casal precipitado que abandonou a casa dos pais e agora volta o cão arrependido pra pedir meia hora de chuveiro emprestada.





Ponto importante da fusão pessoa comum / dona de casa é fazer tudo pela primeira vez. Fazer um sanduiche, que em geral levava 5 minutos na casa da sua mãe, leva ali quase meia hora porque você vai ter que desembrulhar a sanduicheira nova, encontrar os talheres perdidos num amontoado de presentes, lavar as louças, tirar aquelas etiquetinhas de preços e xii... a fome passou, suas pernas doem e já é quase hora de ir trabalhar novamente. Você só vai se tocar que cortina precisa de um troço chamado blackout quando acordar com o sol na cara. E que o lixo não desce sozinho quando começar a sentir um cheiro estranho na cozinha.





Outra coisa que você precisa saber sobre morar com namorado, chá de panela, casa nova: as pessoas vão falar. Não importa de quem ou sobre o que, elas vão falar da sua pressa, da sua escolha, da sua lista de presente, de uma possível gravidez, do bairro, da cor dos móveis, do que escreve no blog, de quem você convidou ou deixou de convidar e até dos presentes que trocou ou deixou de trocar. Aprenda a lidar com isso. Elas falam mesmo, algumas porque são metidas, outras porque são normais, e a maioria delas porque tem vidas tão desinteressantes que precisam se ocupar em assistir você viver.




Na véspera do meu aniversário, 200 reais viram doritos e cerveja no supermercado. Convido os amigos para verem nossa bagunça organizada no novo espaço, assistimos Gal só pela 193752 vez, sorrimos à toa, quebramos um copo. E não sei dizer ao certo em que momento da noite percebi que, finalmente, a casa estava ficando com cara de casa. Talvez aquela marca de copo no pallet. Talvez as almofadas espalhadas pelo chão. Não sei dizer. E a meia noite, enfim, brindamos e vibramos aos pulos: CHEGOU A ÁGUA!!





Quando a última pessoa saiu pelo portão, lembro de abraçar o Mauricio, feliz.
Terminei a noite com um banho gelado e quentinhas toalhas verdes felpudas.

Foi a primeira vez que eu apaguei na cama sem me sentir num quarto de hotel. E de manhã não consegui me levantar porque ali era o melhor lugar do mundo naquele instante.



Eu estava em casa.






quinta-feira, 28 de novembro de 2013

desilusões de amigo-oculto


Um constrangimento: amigo-oculto de colégio. A criança compra a barbie do ano pra dar de presente e ganha uma garrafinha térmica do 1,99 daquele malíssimo colega da turma. Com motivo de um desenho infantil qualquer que ela por acaso odeia.

"O meu amigo-oculto me empurrou da escada. Eu detesto ele", diz a menininha antes de arremessar o presente no colega de uma distância possível de correr seguramente antes mesmo que ele aparasse o embrulho. Todos sorriem e só ela esbafora na carteira. A tia manda abraçar pra foto. Ela se nega e está tudo bem.

Aí sempre tem aquele que esquece o presente. Não deu tempo comprar, esqueceu em casa, o cachorro comeu - todas essas são desculpas para provar que o pai é um escroto e não tá nem aí pro climão que o filho vai causar na turma. As professoras, coitadas, se desdobrando pra amenizar a ingrata situação do coleguinha sem presente: "Fulaninho, é que o presente que o Beltraninho comprou pra ti é tão massa, tão grande, que não coube no carro! Ele vai deixar na sua casa outro dia, pode ser?".

É pior do que esperar o papai noel. Tia da turma eu fosse, não poupava ninguém da real:

- É isso mesmo, minhas crianças. A vida é esse looping eterno de frustrações.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

pra nóis dois morá



Bem que já diziam: deus fecha uma porta e abre uma janela – mesmo que essa janela seja sasazaki em um flat com 32 m². Estou quase de mudança. 23 anos, dois empregos, uma tatuagem por fazer e calo no pé de tanto procurar uma casa pra chamar de minha.

Meus dias estão divididos nessa correria que é trabalhar, olhar imóveis, terminar artigo de universidade (ufa, já deu). A rebeldia adolescente tardia bateu a minha porta e eu abri. Longe de casa há mais de uma semana e sem intenção de voltar.

É curioso perceber a frieza dos corretores que te atendem, atrás de mesinhas de escritórios, tomando café, atendendo telefone e falando do local que você escolheu para viver como um vendedor de seguros. A maioria deles conhecem os imóveis tanto quanto eu - pelas fotografias do site. Eu vou MORAR ali, não me interessa muito suas condições de locação. Me interessa saber se pega sol a tarde, se as trancas das portas são ok (traumas com fechaduras: eu tenho) ou se o vizinho do 201 gosta tipo de ouvir Paulinho Paixão.

Enquanto não me mudo, vou gastando o tempo ócio para organizar um chá de casa nova (o fato de não ter ainda a casa nova é só um detalhe). Também não tem chá. E também não tem lista. E também não quero encher meu flat de quinquilharias compradas pelo gosto duvidoso de pessoas que vão só para comer salgadinho. Pensando bem, esquece o chá.

Tô tomando gosto pela coisa. Brincar de casinha a princípio parece mais caro do que imaginei.

Mas tudo bem. Estou disposta a pagar o preço necessário para viver em paz.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

sou uma criança, não entendo nada

O Maurício passou 15 dias fora e nesse tempo fiquei tão entediada que arrumei um novo emprego. Sou assessora de um colégio particular. E o primeiro que disser que eu não assessoro nem minha vida, cabô amizade. 

Como todo bom iniciante, você começa pisando com cautela, tentando acompanhar o ritmo do barco que já vai a todo vapor, longe da terra, sem intenção de voltar. Ou você se adapta, amigo, ou vai ter que atravessar o oceano a nado.

Tive a sorte de encontrar dois bons marujos nessa embarcação (ok, parei com a metáfora ridícula). Meus dois colegas de sala são bem gente boa, e têm me ajudado - e mangado muito também - nesse começo. Eles levam lanche, curtem um brega, veem vídeos estranhos na internet. É, são normais.

Na minha sala funciona ainda a parte de festas e eventos do colégio. Acabamos de passar pela experiência da gincana (eu AMAVA gincanas escolares até estar por trás de uma hahaha). E aí ficou maravilha, porque amo festas e eventos, sobretudo festas.

Fico num anexo da administração, próximo a escola, mas não dentro dela. Volta e meia tenho que ir lá resolver algo, e adoro - passar em corredores lotados de crianças e adolescentes e eu lembrando que um dia desses eu era uma delas, com uma bomba e uma coca-cola na mão. Quando vou fazer matéria entrevistando alunos, eles me chamam de tia *-*

Pra completar o pacote de novidades, nesses últimos dias ganhei um sobrinho! Toda aquela tensão da maternidade perto de você, e páh, e olha que meninão lindo pega titia e uuuhl cut cut. Bebês são sempre mágicos dentro de uma casa. O nome dele é Alexandre, mas tô chamando de alêzinho, porque não gosto de letra maiúscula em alguém tão minúsculo, e acho Alexandre Filho um nome muito grande pra um bebê de 49.5 cm de pura gostosura.


oi, tia, tô de boa ;)
Sobrinhos são o máximo. Você pode ter um contato mais próximo, pegar, cheirar, brincar, mas opa, fez cocô, mããããe, vem me limpar!

Não sei se dou um abraço de ternura ou se choro me perguntando quem acelerou essa linha do tempo. 
Como é que se passa pra fase adulta sem ao menos um treinee, gente?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

da maior importância

(Mauricio Pokemon)


foi um pequeno momento, um jeito, e aí eu já não pude mais conter a lágrima, o choro, o riso, o grito. meu coração, um fogareiro. baby, há quanto tempo esperei por isso. meu olhar no olho dela que me ignorava. segura, grande, intocável. ela, a menina baiana magistral, magnifica. aquela voz que o cantar lhe deu é um instrumento divino e maravilhoso. trazendo a vida na voz, pra ser feliz, pra sofrer. a gal ali na minha frente, exorcizando meu medo, meu champanhe. mas o álcool só me faz chorar - e respeito muito as minhas lágrimas. em certo instante me senti carregada por asas que a gente não vê. ela lá, me convidando a mudar o mundo, "é fácil, nem tem que pensar". e de repente ficou tudo um barato total. mas quem é fã se cala enquanto ela abre os braços e a voz. palavras, calas, nada fiz. tão cara a cara assim com a mulher americana, global, que cantava na panela. a coisa mais linda que existe. talvez, quem sabe um dia, eu consiga descrever o que aconteceu ali. segunda é dia de branco: fui à praia com gal tropical que comprei num sebo naquela manhã. eu vi o menino correndo, eu vi o tempo. e quando anoiteceu, estava tudo onde devia estar. e era hora de voltar de um sonho lindo.








terça-feira, 9 de julho de 2013

sem compromisso

Quando eu tinha dez anos, mudamos, eu e minha família, para o apartamento onde moro. Na correria de encaixotar tudo, minha mãe esqueceu meus livros e eu não pude fazer as tarefas da escola pro dia seguinte. Eu tinha tanto medo da professora, que obriguei minha mãe a fazer um bilhete assumindo a culpa pelo meu descompromisso. Não era medo da bronca, embora, se você tivesse feito a 4ª série comigo, esse motivo seria o mais plausível quando lembrasse o naipe da professora. O meu medo mesmo era de ser taxada com aquele adjetivo de significado horroroso para mim: irresponsável.

"Prô, a Luana não fez o para-casa porque nos mudamos ontem e não deu tempo de organizar tudo. Peço desculpas e mando esse bilhete, pois ela ficou com medo de que você a ache irresponsável". A intenção da minha mãe foi boa, sabe. Atender o pedido bobo da filha criança e tão responsável. Mas nem precisou passar muito tempo pra que eu percebesse o quanto estúpida foi a ideia do bilhete. No fim da aula a professora, que não me deu bronca, me chamou na mesa dela e disse que tinha achado forte o termo "irresponsável", e que jamais pensaria isso de mim só por aquilo. Constrangida, eu entendi ali que ser responsável ou não, é uma questão de ponto de vista. E que, assim como confiança, é algo que se conquista. 

Tem um amigo meu, que aqui chamaremos de Tom Baxter, que vive de criticar um amigo nosso em comum, o Paul Gauguin. Diz que ele é irresponsável, descompromissado, e, sabe, eu não teria motivos para não engrossar o coro, mas acontece que: não. Ele não é. Ou pelo menos, comigo, ele nunca esqueceu o dever de casa. 

Tudo isso só pra dizer que comecei a pensar nos julgamentos contraditórios aos quais somos submetidos, cotidianamente, pelas convenções de uma sociedade cheia de horários e regras. Você pode ficar até 4 da madrugada no computador trabalhando. Mas se não acorda as 8 é um desocupado. Dá plantão em feriado e dia santo, mas não tem expediente no sábado? Xi, é vida mansa. Não sabe há anos que as palavras "férias" e "julho"podem estar juntas na mesma frase, mas aluga dvd toda quarta-feira e fica assistindo até altas horas. Você é um grande vagabundo.

Não me olhe como se a polícia tivesse atrás de mim só porque não estou disponível no horário dito "útil", "comercial". Nunca soube ser operária, e, se soubesse, arrumaria um lugar quentinho e confortável na fábrica pra dormir escondida. Porque são 2 horas da manhã e eu estou aqui, escrevendo. Sem a menor responsabilidade. 





segunda-feira, 10 de junho de 2013

brasília, um dia eu volto

Semana passada fui à Brasília, concorrer ao Prêmio Sebrae de Jornalismo. Fiquei entre os 5 finalistas do prêmio especial do juri, entre mais de mil matérias do país todo. Uma categoria de um puta prêmio em dinheiro, para o melhor dos melhores trabalhos inscritos. Resultado: não ganhei. O cheque, quero dizer. Maaaas, ganhei amigos, uma revista da Tam e uma quantidade razoável de fotos pra postar no facebook.

Do meu lado no voo, iam Carol e Aline, ambas jornalistas aqui de Teresina. Carol eu já conhecia de esbarrar nas pautas da vida, por aí. Sabemos a dor e a delícia de trabalhar com revista. Aline eu nunca tinha visto, mas quando o avião decolou já estávamos falando de nossas preferência no cinema, na tv e na cozinha.


delegação do Piauí em Bsb ;)

Dividi o quarto com a Najla, e, seja quem fez essas divisões de quarto, acertou na mosca: eu e Najla tínhamos as menores bagagens da viagem, até mesmo menor que mala dos homens. Najla trabalha na TV Antares, e eu já tinha visto ela quando procurei meus concorrentes no Google, confesso. Sim, eu e Najla competíamos na mesma categoria. Algo meio que dormindo com o inimigo, sabe. Envenená-la no café da manhã foi algo que passou rapidamente pela minha cabeça, mas aí era tarde: já tinha por ela um apreço.

Interessante perceber que, mesmo morando na mesma cidade, foi preciso ir até Brasília pra me aproximar dessas pessoas. Que coisa maravilhosa a intimidade que as viagens em turma dão, né? Engraçado notar que quem é de tv já acorda ligando uma televisão, né Najla? Eu nem me lembrava mais a última vez que tinha assistido a um noticiário tão cedo. Caímos da cama, na expectativa do prêmio. Que não veio pra nenhuma de nós, snif. Nosso momento foi dar tchauzinho pro Caco Barcellos, que, após conduzir a entrega dos prêmios, comeu o pior atolado de carne de sol da vida dele, numa mesa atrás da nossa. Caco, vem pro Piauí e eu te mostro o que é atolado, dos bons.

Saímos do Sebrae nacional pra bater perna na cidade de Niemeyer. E depois de fazer o trajeto museu de arte - catedral - planalto (Dilma, minha visita fica pra próxima, foi mais legal bater um papo com os índios, amada), fomos pro shopping. E o que toda mulher frustrada faz para se sentir melhor? Compra maquiagem, claro. Achei a "quem disse, berenice?", depois de botar o Raoni doido o shopping inteiro ("mas quem disse, berenice, que essa loja existe mesmo?" RISOS) e quase morro de comprar batom, um mais lindo que o outro. A sorte não tava comigo. Mas me recuso a contar o episódio da raspadinha que a Aline ganhou por motivo de: ferida ainda aberta.



encontrei minha tribo, tchau ;*

Voltei no avião comendo balinha de cereja e ouvindo Vapor Barato.
Tão cansada, mas não pra dizer que desisti. Os pessimistas diriam que foi uma bobagem acreditar que iria vencer. Otimistas, que está na final já é uma vitória. Eu apenas digo que foi feliz, bem feliz.
E que, um dia, eu volto.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

trocados de amor

Foi desse jeito: eu acordei de manhã, e, ainda coçando os olhos, vi ele a minha frente, com as mãos escondias atrás do corpo e dizendo: "fecha os olhos, tenho uma surpresa". Bem manhã de natal. Como fechados ainda estavam, praticamente, meus olhos, estendi a mão e toquei aquele objeto. Era um presente.

Pirei. Chorei. Sorri. Não era bem o presente, sabe. A coisa. O material. Era tudo que ele representava para mim. Seis meses atrás eu tive um dos dias mais tristes da minha vida, onde chorei compulsivamente enquanto engolia travesseiro e ódio. Me sentia burra e infeliz. Passou. E eu segui valorizando mais a vida, a presença das pessoas, os sentimentos e as coisas que não podemos comprar. E, pra ser sincera, se eu soubesse antes que pra sentir a felicidade tão grande que tive nessa manhã eu precisava ter chorado tanto aquele dia, eu juro: queria ter sofrido mais. Porque é sempre mais feliz assim. Como o calor que precisa do frio pra ser mais quente e o céu precisa do cinza pra ser mais azul, o riso sempre precisa do choro pra ser mais alegre.

Só digo a vocês que me encanta, cada vez mais, a sensibilidade da pessoa, a única no mundo, que sabia de verdade o que aquilo representava para mim. Quando ele falou "Agora vai parar de pensar nisso todo dia?", senti meu disfarce de durona desabar e meu peito encharcar de amor. Amor imenso no coração e felicidade na ponta do dedo.

Levem de mim todo o dinheiro do mundo.
Mas me deixem, para sempre, com uns trocados desse amor.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

- de todos os loucos do mundo

Sou uma garota de sorte. Me dou bem com a minha sogra, minha varanda é ventilada, tenho avós vivos e uma compota de doce de leite me esperando em casa. E trabalho na revista mais pop do momento. Mais do que a revista pop, minha sorte grande são as pessoas, esses malucos com quem trabalho.

Vai pro manicômio quem quer - os loucos tão tudo aqui fora. Há um ano, quando eu nem usava a palavra revestrés, dois deles vieram me procurar. Hoje eu vivo isso, todos dias, e descobri que a Revestrés é mais do que um vocábulo do meu bom e surrado piauiês, mais que uma revista. Revestrés é um estilo de vida.

Dora, a mulher das frases

Eu sempre fui de revestrés. Mesmo antes de saber. E acho que todos da equipe, somos, um pouco, assim ao contrário. O Wellington começa a ler o livro pelo final. Já André, odeia tanto os finais que tá sempre começando. Maurício tem uma sequência lógica no banho que começa sempre pela barriga. Adriano gosta do site de revistas rurais. O computador portátil do Alcides tem 24 polegadas. E a torta preferida da Samaria é de côco e ameixa. Eu? Eu faço samba e amor até mais tarde. E tenho muito sono de manhã.

A Revestrés, há um ano, é o meu maior prazer e dor. Já entrei pra lista laranja do André, já tentei jogar o Mauricio pela janela do carro e, silenciosamente, desejei morrer uma vez por mês, sobretudo nos dias de fechamento. Normal, minha vizinha boazuda e rica disse que deseja isso toda semana - e olha que ela nem faz revista.


A gente não quer mudar o mundo. A gente quer só pintar o muro.

O bom, o bom mesmo, é olhar pra cada capa e ver o quanto de história construímos até aqui. Quantos amigos fizemos? Quantas historias contamos? Cada edição tem por trás um momento particular e único, uma pasta no computador cheia de fotos e saudade do que acabamos de viver. As viagens. As discussões. As pizzas. Os biscoitos ruins da Sam. As piadas de redação que não posso nem devo compartilhar com vocês.

Houve quem dissesse, na nossa estreia, que não passaríamos do karma do terceiro número. E conseguimos, vamos para a 8ª edição. Desculpa Feliciano, mas nosso orixá é forte. Sei que ainda sou tão verde pra tanta coisa, e eu quero tudo, e tudo eu quero muito, e quase sempre eu percebo que não sei de nada. Só agradeço a Revestrés por me permitir ser do jeito que eu sou, pela chance de acertar e de errar e de tentar tá sempre recomeçando nesse mundo de loucos - de loucos uns pelos outros.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

curtindo muito

No último sábado minha mãe entrou no face. Foi aquele desafio todo pra ensinar ela os primeiros passos, mas tô gostando demais da desenvoltura - pra quem não tem um curso de datilografia carimbado e parou de ir na aula de informática porque tava com medo de pegar no mouse, podemos dá nota 10 em evolução.

Só quatro dias na rede e já tem 76 amigos. Mãe, sempre invejei sua popularidade. Bastou ensinar onde eram as funções 'curtir' e 'comentar' e pronto: foi aquele festival de pérolas. 'Que revista maravilhosa!', comentou na fanpage do meu trabalho. E na minha nova foto do perfil, onde outros botavam 'linda!', ela veio com ""É claro que só podia ser minha filha, não é mesmo?'

Ela já curtiu as páginas 'Receitas da vovó', 'Brahma' e 'Eu leio a bíblia'. Pessoa coerente, equilibrada. No segundo dia de aprendiz (ela la na sala, eu usando meu net no quarto) ela grita ao ligar o notebook: 'Aff, Luana, A internet tá lenta aí??' - "Não, mãe, normal." - 'Afff, pois aqui não sai desse INICIANDO O WINDOWS'. Não julguem.

Terceiro dia, tô eu saindo de casa e ainda escuto a empolgação: 'Meldeos do céu, o fulano de tal tá me solicitaaaando!'. Passada a euforia do primeiro amigo que a adicionou, ela me pergunta: 'Luana, o que que é fazer um tur?'

Durmo um dia fora e quando chego minha mãe adicionou um ESPANHOL totalmente aleatório. Sem vê nem pra quê. 'Ele me solicitou, eu confirmei. Pela foto, parece bonitão'. Falo pra ela do perigo de pessoas má intencionadas na internet, tráfico de mulheres e tal, Glória Perez, um beijo. Ela me diz 'De repente ele pode só estar atrás de novas amizades'. Ensinei logo a ela a arte de stalkear. Qual não foi o seu choque ao descobrir que a foto era do Google.

Só tô chateada que até agora ela não postou nadinha. Tenho que fazer um resumão no próximo sábado e intensificar essa parte do conteúdo. Não deve ter ficado claro, já que ontem de noite enquanto eu me arrumava pra dormir, flagrei ela numa DR com seu novo passa-tempo.'O que está acontecendo, Márcia? Nada, facebook. Eu apenas cansei e vou dormir"