segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nuvem negra

Estava tudo fora do lugar: cadeiras e mesas de pernas pra cima, toalhas ao vento, poltronas desalinhadas, cama desfeita e panelas espalhadas no chão da cozinha. A ventania entrava por portas e janelas, e, ainda que tentássemos trancar todas as aberturas, a tempestade sempre dava o seu jeito de fazer reviravolta.

Era temporário, sabíamos. Dois ou três meses e o tempo ruim teria ido embora pra sempre, levando todo o mal que arrasara nosso espaço. Por isso mesmo fazíamos questão de, com paciência e amor, reconstruir tudo todo dia: a toalha voltava pra mesa, os lençóis pra cama e as cadeiras retornavam a seu perfeito alinhamento. Por algum curto tempo tudo parecia perfeitamente arrumado como antes. Mas não demorava muito e o vento da tempestade entrava arruinando tudo de novo. A nuvem negra cobria o ambiente e nos fazia chorar como chuva.

O tempo passou e finalmente veio o sol. A brisa anunciava um dia azul e lindo. Tudo estava novamente em seu lugar, exceto nós. Cansados de tentar impedir que a tempestade nos atingisse, mudamos. Agora tudo estava igual como era antes, mas não éramos mais os mesmos. E não fazia mais sentido tanta cadeira arrumada pra ninguém sentar.



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