segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Divino X Ipanema

Domingo da depressão, decidimos, eu e o Maurício sair em aventura na busca do que comer, lá pelas dez, dez e pouco. Abusei todas as opções de restaurantes e lanchonetes que qualquer estabelecimento (ODEIO essa palavra, só idiotas usam) daquilo que eles chamam de 'centro cultural e gastronômico' (blehrg!) de Teresina tem a oferecer, e que se resume a pizza, sushi e hambúrguer. Na zona Leste, boteco virou coisa fina. Você é mau atendido e paga caro num crepe sem sabor.

Aí veio a luz. "Ah, tem um lugar bacaninha que eu fui sábado, com os meninos", lembrou o Mauricio. "Lá vende taco!". Amamos taco. Nem pensamos duas vezes antes de atravessar a cidade de uma ponta a outra pra ir pro subúrbio. Sabe de uma coisa? O que eu preciso nessa vida é morar em bairro onde se possa comer cachorro quente a 3 reais em qualquer esquina, com muita maionese, por favor.

Não vou dizer onde fica nem o nome do bairro do tal local, porque tem gente que acha que ser suburbano é ser inferior, e tem vergonha de onde mora. Não posso com mente pequena. Mas enfim, o nome é Mult Sabor, e o que vende lá? Pizza, sanduiche, salgadinhos e TACOOO. Antes de chegarmos, o Mauricio me avisou que era beira de calçada. Achei ok nosso lanche atravessar uma avenida pra chegar até nossa mesa, mas oi? Era um beco, rua de pedra, não passava nem bicicleta.

E então, não tinha taco. Frustrados, nos rendemos a promoção da pizza grande com coca cola LITRO (de garrafa, #vemgente) por 20 REAIS. A dona do Mult Sabor, cujo nome era algo parecido com Vilma, Vera, não recordo, veio se explicar sobre os tacos: só tá fazendo sob encomenda. É trabalhoso e exige materiais mais raros, que estragavam porque o produto não tinha muita saída. Em Recife tem taco em qualquer esquina. Em Teresina nego tenta fazer algo diferente e gostoso e leva prejuízo. Triste.

Achei todo estiloso o garçom, todo de camisa social, calça engomada. Depois descobri: era marido da Vilma (Ok, defini) e tinha chegado do culto. Na mesa ao lado da nossa, (aliás, um conglomerado de 5 mesas) tinha uns amigos da igreja. Quando a pizza deles chegou, um cara chamou a bíblia inteira pra comer "Isaías, Jacob, Moisés, Pedro!" - era a prole. O menino mais novo jogava pedras numa gata buchuda próxima a um carro plotado com 'eu curto a benção'.

Na mesa do outro lado, quatro adolescentes conversavam sobre o fim de semana. "Tu foi lá na festa do Mocaminho?" - "Não, pagar 10 conto pra ver só gente feia?". Morri. Eles chamavam o outro garçom, Daniel, pelo nome. Daniel servia e entrava na conversa "E teve tiro lá, dessa vez?".

A pizza demorou horrores, mas não tínhamos pressa, só fome mesmo. Depois da desilusão com o taco, Maurício pensativo desabafou. "De repente me deu uma vontade de passar num drive thru e ir pra casa". Um pouco do garoto ZL (beijos, Thiago E ;*) vinha a tona. Desistir? Nunca. Até porque eu queria saber como tinha terminado a festa do mocambinho, beijos.

Pouco antes da pizza chegar, a Vilma veio avisar que os preços tinham sido alterados (sempre pra mais) e que o cardápio estava sendo reformulado, não sem explicar que 'a vinda do meu pizzaiolo exigiu novos gastos, né". Pagávamos a conta quando um cara de avental e boné se aproximou curioso "foi aprovada, a pizza?". Era o pizzaiolo, gente, em pessoa, vindo conferir a satisfação dos clientes. Isso é muito Divino!

Saímos satisfeitos e fomos convidados pela Vilma pra um show gospel no Mult Sabor. Não sabemos se na calçada, ou em novo espaço - o empreendimento passa por fase de mudanças. Esperamos. Porque o Divino pode ter mil vezes mais experiências de vida do que Ipanema sequer imagina, meus amores.