quinta-feira, 26 de abril de 2012

um sonho stabilo

Acontece às vezes. Com certa frequência, até. Eu tô ali triste, deprimida, desencantada da vida, aí o Mauricio no topo de sua compaixão me leva a uma papelaria. Ele já tá acostumado em me ver comprando grafite de 30 reais e marcando os compromissos na agenda de cores diferentes (azul para Revestrés, preto trabalhos extras e vermelho para compromissos pessoais). Entende total.

Algumas pessoas ficariam felizes em bares, shoppings, churrascarias, galerias, teatro ou supermercado. Mas eu fico muito bem, obrigada, cercada por bloquinhos, envelopes, grampeadores, clipes coloridos, canetas e tubos de corretivo.

Não sei ao certo quando começou essa compulsão. Talvez ainda na fase escolar, quando minha maior ansiedade nas férias era pela volta das aulas e a compra do material escolar. Eu tinha 5 anos e 10 estojos de canetas diferentes - e olha que na época eu só escrevia "Vovó viu a uva", e de lápis.

Cresci, e continuo adorando as papelarias e a infinidade de objetos que ela oferece e que eu compro pra nunca usar. Sou sempre bem atendida. Deve ser pena, né. O vendedor olha e pensa "tadinha, 22 anos e ainda não saiu da escola". Mal sabe ele que meia dúzia das canetas que escolho vão se transformar em garranchos nos meus bloquinhos de repórter.

Vou sempre saber as novidades - ainda que eu me sinta uma múmia com as coleções do Ben 10 e afins. Os clássicos nunca saem da moda, e eu continuo feliz com canetas da moraguinho (com cheirinho da fruta) e sou super aberta a novidades como o Chococat (este, de chocolate). Minha paixão mais recente é o Paul Frank - tenho agenda e caneta do macaquinho.

 Meus amigos sabem ou adivinham esse meu vício. Já ganhei bloquinho da Marilyn Monroe, de uma loja do RJ, um bloquinho chique da Papel Craft e o mais recente, um moleskine de New York - presente da Tassia. Na minha lista de mimos de papelaria ainda estão um mini grampeador e uma calculadora do keroppi - ainda que na hora de somar as dívidas eu só use o celular. Não tem alegria maior do que levar pra casa, tirar as etiquetas, rabiscar coisas num papel qualquer e depois botar tudo no estojo. Até enjoar, e repetir todo o processo. Besteira pra você. Pra mim é terapia de vida.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

bruxa do condomínio

Briga de vizinhos é um clássico, devia entrar para as coletânias de contos ou algo assim.
Meu pai costuma dizer, em gratidão a alguém, algo como "Deus lhe livre de um mau vizinho".  Pode ser melhor do que benção, acreditem.

Tem essa síndica nova, a bruxa do 71. Ela é do tipo fofoqueira, te acompanha até o carro contando do fulano que joga lixo pela janela, da fulana que deixa o portão aberto ou do cicrano do 101 que possivelmente tem um gato (fofocas meramente ilustrativas). Isso sem você ter perguntado nada, dito nada, nem mesmo bom dia.

Pois bem, bruxa do 71 resolve botar portão eletrônico no prédio. Beleza, sou a primeira a apoiar. Apesar de não ter carro, sou solidária. Minha irmã solicitou o controle, e eu apenas a chave do portão para a entrada de nós, mortais pedestres.

Aí que a louca passou uma semana de zoada aqui embaixo, puxando energia, botando motor, e fuça vai fuça vem, temos o tal portão. Só que bruxa do 71 não avisou nem distribuiu controle pra ninguém. Daí esta sou eu chegando em casa, 18h30, após um dia exausto de trabalho, caminhando um quarteirão pra entrar pelo portão do outro bloco - que, graças, dá acesso ao meu ap.

Essa não é a primeira experiência ruim que tive com a bruxa. Alguns meses atrás, esbarrei com ela la embaixo, desesperada pela chave do depósito, que faz as vezes de bicicletário. Eu tinha uma cópia, porque guardava minha bicicleta lá. Ofereci a minha, ela aceitou e disse que a noite me devolveria. Aconteceu que precisei guardar minha bike lá e fui chamá-la em casa. Ela desceu e, ao inves de devolver minha chave, apenas abriu, trancou minha bike e disse "Quando precisar tirar, é só chamar. Vou fazer a cópia da chave pra mim". Três dias depois, repito: TRÊS DIAS DEPOIS, eu precisei da bike, fui na casa dela e nem sinal de vida. Liguei, bati, gritei e nada. Tava pra acionar o corpo de bombeiros, o IML, sei la. Aí, com toda a razão que tinha arrombei o cadeado para pegar o que era meu.

Bruxa do 71 espalhou para o prédio inteiro que "a louca do 202 tinha PERDIDO a chave e arrombado o depósito, destruindo o bem coletivo".

Mamãe até hoje me condena pelo ato vândalo.
Melhor quebrar o cadeado que a cara dela, argumento.

Essa é minha vida, Brasil












terça-feira, 10 de abril de 2012

Feriado em família

Até o blogger mudou, e eu aqui: na mesma.

Quem acompanha minha vida por aqui sabe que tenho esse hábito, de escrever coisas aleatórias sobre as micro-viagens que faço. É mais pra mim que pra vocês. Gosto de voltar aqui anos depois, reler e sentir um tsunami de nostalgia me invadir.

Teve essa viagem agora, na semana santa. Família se juntou e foi pra praia vê no que dava. Mas a paisagem do litoral foi mero cenário para a alegria que é primos e primas reunidos. Nossa farra mesmo era na casa.

Quatro quartos e três equipes-famílias. Estava aberto o Big Brother praia, com o quarto morcego, o quarto inflável e o quarto selva - onde cobra engolia cobra. Muito embora depois tenha sido batizado de suíte master, porque vovó cismou de que dormia no quarto do líder. Ali identificamos todos os personagens: tinha a mama (tia Raquel com toda sua instabilidade), o João Carvalho (tia Leda, que cozinhava pra não ir pro paredão) a Kelly (Hélida, que nunca se metia nas confusões) e até o mister (Felipe - se cuida Jonas). Quem chutou que eu era a Monique com todo o drama da obesidade acertou.

Não precisou mais que um dia pra formarmos o primeiro paredão, convivência é um negócio difícil. Mas nem era sobre isso que eu queria falar. Já fui em Parnaíba-Luis Correia zilhões de vezes, mas essa foi a primeira vez com tantos historiadores gabaritados para dar explicações tão lógicas sobre tudo. Ainda em Campo Maior, passamos pelo monumento da Batalha do Jenipapo e minha prima-sobrinha, Natália, uma indiazinha linda com toda curiosidade que seus 8 anos permitem perguntou do que se tratava. Tia Leda, toda inflada responde "Aqui é o marco de uma batalha onde nós piauienses vencemos". Tipo, aqueles túmulos são mera ilusão de óptica, minha gente.

Chegando em L.C, Mirinha sabichona sai com essa: "Ah, é aqui mesmo. Olha ali o saleiro, onde faz o sal". Passeando por Parnaíba, Felipe, o mestre diz cheio de pose: "Parnaíba é uma cidade de porto, por isso o Porto das Barcas". E eu também tinha que dá a minha: "É claro que esse rio bem aí é o Parnaíba, por isso o nome da cidade". Tio Walter disse que ha muito fez um passeio de barco por ali, no que perguntamos sobre o Delta ele afirma: "Não, ainda nem tinham inventado essas frescuras".

Imagem e Ação, um clássico das viagens em família, arrematou nossas confusões, não deixando pedra sobre pedra. Só precisa falar que éramos 3 equipes de adultos e a equipe com a criança de 8 anos venceu todas as partidas. Estou com dores abdominais de tanto rir.

Andei de banana boat, meu primo deu entrevista na tv, comi carangueijo e minha irmã virou um camarão.

                         senta na banana - hit do verão

Se semana santa é um período pra ficar perto de Deus, acho que cheguei bem perto disso.