quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Eu que nunca fui a Nova York

Tenho dois contatos do face/twitter que estão em NY. A Barbie e a Sofia Coppola hipster. Não posso chamar de amigas, haja vista que Barbie estudou comigo no colegial e nunca trocamos confidências e Sofia Coppola eu nunca vi na vida - conheço de blog e por isso, tenho bem mais intimidade. Analise.

Ambas são jornalistas. Teríamos tudo para estar na mesa de um bar essa hora, trocando figurinhas sobre a profissão. Quer dizer, acho que Sofia Coppola não se daria bem com Barbie, e aliás, esse é o motivo verdadeiro desse post.

Barbie e Sofia estão em Nova York - olha que coincidência, no mesmo período. Dá pra ver a diferença cultural e intelectual gritante entre as duas, através do que tem postado na internet, em suas respectivas redes sociais. Pra começar, Barbie flopa minha timeline com fotos de tudo e todos: esquinas, bares, ruas, noite, dia, sapatos, cup cake, lojas, bebidas, amigos e até poses esquisitinhas ao lado de estátuas (?). Acho que até um floco de neve ela fotografou no seu (ui) iphone 4.

Sofia Coppola, por sua vez, com uma NY inteira pela frente pra explorar como se não houvesse amanhã, só perde tempo no twitter pra postar links pro seu blog - que aliás, sigo ha tempos. Seu texto é ótimo, o que nem espanta: Sofia é freela da Folha de São Paulo. O mais legal é seu estilo leve, mas não vazio, de escrever: cheio de referências e bom humor.

Pois bem, Sofia Coppola está fazendo uma cobertura da sua viagem a NY de um modo encantador. Barbie tem tentado fazer o mesmo, mas está mais preocupada em encher as redes sociais de foteeenhas sobre cada passo na city. Já Sofia é mais datalhistas, gosta de fotos em close, acha o belo e ao mesmo tempo inusitado em histórias sobre um povo, uma cultura - mas também é capaz de transformar uma tarde de compras em NY em uma experiência antropológica.

Vejam a diferença: Barbie e e Sofia estiveram no mesmo evento simultaneamente: a festa do Ano Novo Chinês em NY. Enquanto Barbie postava no face fotos de lá com caretas e legendas do tipo 'nooooossa, que bonecão grandão', Sofia Coppola explicava a importância da data nos Estados Unidos e trazia detalhes de um passeio no Museum of Chinese in America. Uma cobertura linda que me enriqueceu e, confesso, me encheu de inveja - porque se estivesse lá, era exatamente o que eu faria.

Por isso continuo amando Sofia.
E eu, que nunca saí do Brasil - e pelo visto ando sem muito o que fazer, temos de concordar - fico só por aqui falando das viagens alheias.

Um comentário:

  1. "Sofia Coppola", definitivamente, arrasa! Bom texto, percepção aguda e um ótimo e divertido livro (quase esgotado, por sinal). :)

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