segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Alô, fevereiro!

Volteeeeeeeeeei, Recifeeeeeee! Foi a saudade que me trouxe pelo braço (8)

Todo mundo devia, goste ou não de carnaval, passar esse feriado pelo menos uma vez na vida em Recife. Só digo isso.

Que cidade. Que pessoas. Que folia. Faço minhas as palavras de dona Onete, do Pará, quando subiu no palco do Rec Beat: "Vocês é que sabem fazer festa. Os outros estados ainda precisam aprender".

Dona Onete, aliás, 72 anos de pura formosura. Não tem nem como começar esse post falando de outra coisa que não seja ela, com seu charme e simpatia e o carimbó chamegado que botou todo mundo pra dançar a vontade. Ela entrou toda faceira e depois da primeira música já tava tirando o sapato, pedindo uma cadeira. Estava em casa. Puro encanto.


Sensualiza, dona Onete!


O carnaval multicultural de Recife pra mim foi dona Onete cantando Criolo. Criolo cantando Nelson Ned. Lulu Santos cantando Roberto Carlos. Zé Ricardo cantando Tim Maia. Roberta Sá cantando Caetano e dançando frevo. Karina Buhr cantando Alceu. Lenine cantando Alceu. Ney Matogrosso cantando Alceu. Todos, sempre, cantando Alceu Valença. Meu coração ficou foi bobo.

Se tem um nome que reinou nesse carnaval foi Alceu Valença. E é lindo ver um povo idolatrando seus artistas, suas tradições, sua cultura - isso vale também para o Galo da Madrugada homenageando Luiz Gonzaga, para todas as pessoas na rua usando o famoso chapéu do rei do baião e para todo mundo que ia ao delírio quando tocava Nação Zumbi.

Isso é o mais bacana do carnaval de Recife/Olinda. Não é uma festa de qualquer música para se acabar com qualquer cachaça (não que não tenhamos feito isso, mas pula) É uma festa pra exaltar suas manifestações culturais: o frevo, o maracatu, o caboclo de lança, os papangus, o galo da madrugada, os bonecos de Olinda. Na abertura dos shows no Marco Zero vi uma apresentação linda de um grupo de maracatu, que começava no palco e descia numa passarela para o meio do povo. Lembro de naquele minuto ter pensado: isso sim é carnaval.




Em Olinda vi algo igualmente fabuloso: um bloco de evangélicos, contra o tráfico humano. Eles subiam e desciam as ladeiras com seus tambores e eu pirei cantando "ele é o leão da tribo de judaaaaaaaaaaaaah", lembrando meus tempos de escola batista, risos. Achei incrível.


Olinda



Vamos aos pontos altos e baixos da #carnavaltrip

#altos
- Rápida passagem por Exu, a cidade de Luiz Gonzaga e a visita ao Museu do Gonzagão. Incrível pensar que alguém que nasceu no meio do sertão virou esse fenômeno reconehcido até hoje.
- Criolo na abertura cantando Morena Tropicana. Não teve quem não se arrepiasse.
- Show do Lulu Santos. Na chuva. Sempre a mesma fórmula, sempre bom.
- As marchinhas que tocavam nos intervalos dos shows e que faziam todo mundo continuar no pique.
- Um tiozinho passando por mim e dizendo "Você foi a única jovem que eu vi cantando Chico Buarque". Mal sabe ele que Sanatório Geral na minha terra faz escola, haha.
- Nossos tênis bem podrão secando atrás da geladeira pra aguentar o dia seguinte.
- Show da dona Onete. Sem mais.
- Show da Roberta Sá no pátio São Pedro. Eu dando carteirada de imprensa e assistindo no hot space ao lado de nada menos que Pedro Luis (e a parede? :P)
- Show do Mombojó e a galera pirando no reino da alegria.
- Show do Tibério Azul no Rec Beat. Não consegui chegar a tempo, mas ouvi de tarde ele passando o som e achei super.
- Bloco do agacha-levanta, que fez eu e Mauricio andar de cócaras por alguns quarteirões do Recife antigo.
- Morena Tropicana tocando toda hora, em todos os ritmos, em todos os cantos.
- Eu e Érika caprichando na make carnaval e cantando "Olindaaaaaaaa, quero cantaaaaaaaaaar a ti essa canção..." Música chiclete.
- Manchete do caderno especial de carnaval, na quarta-feira, do Folha de Pernambuco: "Chuva, suor e alegria". Um beijo ao repórter responsável pela referência ao frevo lindo de Caetano Veloso.
- Porto de Galinhas: o mar mais azul e lindo do mundo.

#baixos
- Não existe arrumadinho para os pernambucanos. Pelo menos não da forma como conhecemos aqui no Piauí. Em todas as barraquinhas de comida as opções eram carne e macaxeira. Calabresa e macaxeira. Charque e macaxeira. E a saudade de arroz, paçoca e creme de galinha? Érika não aguentou, pediu macaxeira com farinha e virou a piada, haheuiahe.
- Estacionamento a 10 REAIS. Isso faliu a gente e enricou flanelinhas pelos próximos dois anos.
- Olinda no dia do desfile de bonecos. Todo mundo viradão subindo e descendo ladeira na chuva e no sol num formigueiro de gente. A chuva atrasou o desfile e só vi os bonecos já desmontando :~
- Carro tentando passar no meio do povo em Olinda. Em duas palavras? Vergonha alheia.
- Show do Criolo no Rec Beat. SEM PEDRADA, GENTE. Compreendam, acho Criolo a revelação do ano e tudo o mais que a crítica anda dizendo. Adoro o CD. E foi justamente por isso que me decepcionei um pouco. Achei que o show perde muito em sonoridade em relação ao cd. Algumas músicas foram tocadas em versões estranhas. E aquele Ganjaman meio que enche o saco tentando interagir. Veja bem, Criolo não vacila em nenhum momento: canta e manda muito bem. Minhas considerações são sobre outras coisas.
- CERVEJA QUENTE. Me desculpem, pernambucanos, mas aqui no Piauí é até crime vender cerveja escaldada, visse?
- Celular de Jurubeba a 5 reais. Se bem que isso devia estar em ponto alto, porque se fosse mais barata não sei o que teria sido de nós todos jurubêbados =X


P.S: As fotos que ilustram esse post são de Maurício Pokemon. Tem muito mais no flickr, podem olhar.

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