sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

2012, seu lindo

É, eu sei. Esse post tá atrasado.

O fato é que 2012 nem de longe começou da forma como eu imaginei. Do contrário, ainda nos primeiros dias de janeiro eu teria embarcado pra São Paulo com uma muda de roupa numa mochilinha jeans e um crachá da Editora Abril. Beijos, Teresina.

A história começa ha uns três anos, quando comecei a tentar o CAJ - Curso Abril de Jornalismo - Vou apenas linkar, pra quem não é da área entender, porque né, a ferida ainda tá um pouco aberta. Este foi o ano que cheguei mais perto de ficar entre os seleciondos e puf - morri na praia, literalmente, em Boa Viagem (Recife) - frente a frente com Edward Pimenta.

Em algum domingo de dezembro, quando saiu a lista dos selecionados para o #CAJ2012, muita gente foi dormir sorrindo. Eu apenas virei a noite chorando.

Mas a sorte, caros amigos, virou a meu favor. E eu completei meus 22 anos numa linda reunião de pauta. Pois é, tô de trabalho novo. Não temos a estrutura de uma Abril, mas não perdemos nada em ideias e força de vontade pra concretizá-las. Mesmo que meio assim, de revestrés.

Como eu lembro que fiquei uma pilha nas seleções do CAJ, vou ser solidária com quem pretende tentar nos próximos anos. Vou divulgar meu texto selecionado pra galera se inspirar e ver como nem é coisa de outro mundo (Ok, fui selecionada entre mais de 2 mil pessoas em todo o Brasil e isso dá um puta gás)

Eu não posso mais tentar, uma vez que já completei um ano de formada =\ A não ser, quem sabe, se me aventurar em outro curso. Publicidade, quem sabe. 2012 veio pra surpreender.

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TEXTO CURSO ABRIL

Sou Luana Sena, tenho 21 anos e não tenho unhas. Não consigo me livrar desse hábito que adquiri ainda na infância. Vão-se as unhas, ficam as ideias. O Sena vem do meu avô que, além de sobrenome me deu casa, estudo, comida e apoio. O último, e nem por isso menos importante item, pode ter sido o responsável pelo meu ingresso nessa corajosa e louca empreitada de ser jornalista em Teresina. Isso mesmo, no Piauí.

Terminei a faculdade em dezembro do ano passado. Não sei dizer exatamente o que me levou a escolher isso como profissão. Falar da minha intimidade com as palavras desde cedo seria apropriado para este parágrafo, mas não tão interessante. Aluna 10 nas redações, comunicativa, amante da leitura, características que podem não ser requisitos para se tornar jornalista, afinal, jornalismo não é literatura (embora meu maior prazer seja misturá-los). Mas para mim, um grande jornalista é, antes de tudo, um grande escritor.

A escola ficou pra trás e sinto saudade daquele tempo em que no jogo da vida após a formatura vinha apenas uma curva pra esquerda e o casamento. Ledo engano. Tudo que consegui foi uma contratação no jornal onde estagiava, o que no mercado local é uma vitória, mas que ainda estava longe do meu sonho de ter uma revista pra chamar de minha.

Apesar de querer trabalhar em revista, reconheço que foi no jornal que eu tive as maiores experiências sobre ser repórter – para mim, a única função pela qual vale a pena ser jornalista. Conhecer pessoas, histórias e mergulhar em outras realidades. Todos os dias, ao sair pra rua, abro mão de um pouquinho de mim para entrar no mundo dos outros.

Estava bem ali, no olhar daquelas pessoas sem água numa vila, no desabafo do homem sobre a violência que levou seu filho e no grito de protesto de funcionários em greve o sentido de trabalhar com comunicação. Quanta pretensão a minha dizer isso, mas todos, de alguma forma, precisavam de mim, seja para intermediar um problema ou para dar voz a uma massa nem sempre ouvida e por vezes desinformada. Me sinto útil assim, e acho que a vida é muito curta para que a gente passe por ela sem fazer algo pelas pessoas e pela história.

Mesmo com tantas especulações sobre os rumos de uma profissão tão importante para a sociedade, eu estarei aqui, escrevendo. Pode ser em laptops, e-books, Ipods ou quantas inovações surgirem. Pode ser que ninguém compre, acesse, clique ou leia o que eu tenho pra falar. Pode ser por dinheiro, prazer ou pelo simples fato de botar pra fora o que estou sentindo e o que precisa ser dito. Pelo menos, enquanto houver alguém escrevendo, há esperança.