quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Obrigada, papai noel

presente de natal ;*

O meu amigo oculto esse ano foi o meu amor. É legal isso de um amor de amigo, um amigo amor. As pessoas, essas criaturas estranhas com armaduras de ferro contra os sentimentos, são loucas. Elas criam receitas baseadas em experiências clichês e frustrantes, como se o amor fosse um bolo. Como se fosse simples, mesmo com as medidas corretas, acertar o ponto para não solar. Aquela fórmula do amor que o Kid Abelha cantou, minha gente, não existe.

Consegui esconder do Mauricio que ele era o meu amigo oculto por uns 15 dias, tempo recorde. Para uma pessoa que conversa sobre absolutamente tudo com o namorado, no quesito desempenho eu merecia um dez. O Mauricio sabe o que eu penso e sinto na maior parte do tempo, sem que eu precise dizer muita coisa. Sabe fatura de cartão de crédito, número do RG, manequim, sobremesa preferida, o maior medo e o mico clássico da adolescência. Difícil achar algo que nesses 6 anos de convivência tenha ficado realmente oculto.

Na véspera do Natal, quando fui atrás do presente perfeito pro namorado oculto, quebrei toda a tradição e ignorei as regras em um telefonema perguntando se a marca tal de bermuda era ok. Não consigo mais comprar chicletes sem perguntar pra ele se é melhor morango ou hortelã. Se tem tratamento, não me levem pra rehab, por favor.

Porque lindo é a gente se entender mesmo sem seguir as regras. "Não fica tão dependente dele", diziam minhas amigas. "Não se leva namorado pra fazer compras", dizia minha mãe. "Não beba na frente do rapaz", mandavam as titias. Conselheiras, lamento informar que todo esse tempo fui pelo caminho torto. Desde que quebrei a regra número um, sobre namorar o melhor amigo, a coisa foi só piorando. Sou uma quebradeira compulsiva de regras. Maurício entra comigo até no provador, tomamos os maiores porres das nossas vidas juntos e eu não consigo mais dormir sem seu braço. Gal Costa me entenderia.

Não me arrependo nem por um momento de não ter feito questão de ocultar nada. Tudo que eu já vivi com esse meu amigo-amor-oculto resultou numa cumplicidade que, mesmo que venhamos a romper um dia, ninguém vai conseguir apagar ou reviver. Rimos das nossas piadas internas, temos duas ou três brincadeirinhas medonhas e sigilosas, compartilhamos a mesma opinião sobre a maioria das pessoas e coisas que conhecemos e só nós dois sabemos o que aconteceu na véspera da última eleição naquela pousada em Barra Grande.

Não me importo que ele me veja com pijama descosturado, que descubra os podres da família, que saiba onde guardo o absorvente ou que eu babo no travesseiro. O amor veio pra destruir essas barreiras e provar que podemos ser cada vez menos ocultos e sempre mais amigos. Acordei de ressaca em um Natal estranho e vi que papai noel não podia ser melhor pra mim. O meu presente estava bem do lado, respirando, com fungada no cangote e bafinho de leão. E os olhos remelentos e meigos denunciavam um amor desregrado e sem medida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nuvem negra

Estava tudo fora do lugar: cadeiras e mesas de pernas pra cima, toalhas ao vento, poltronas desalinhadas, cama desfeita e panelas espalhadas no chão da cozinha. A ventania entrava por portas e janelas, e, ainda que tentássemos trancar todas as aberturas, a tempestade sempre dava o seu jeito de fazer reviravolta.

Era temporário, sabíamos. Dois ou três meses e o tempo ruim teria ido embora pra sempre, levando todo o mal que arrasara nosso espaço. Por isso mesmo fazíamos questão de, com paciência e amor, reconstruir tudo todo dia: a toalha voltava pra mesa, os lençóis pra cama e as cadeiras retornavam a seu perfeito alinhamento. Por algum curto tempo tudo parecia perfeitamente arrumado como antes. Mas não demorava muito e o vento da tempestade entrava arruinando tudo de novo. A nuvem negra cobria o ambiente e nos fazia chorar como chuva.

O tempo passou e finalmente veio o sol. A brisa anunciava um dia azul e lindo. Tudo estava novamente em seu lugar, exceto nós. Cansados de tentar impedir que a tempestade nos atingisse, mudamos. Agora tudo estava igual como era antes, mas não éramos mais os mesmos. E não fazia mais sentido tanta cadeira arrumada pra ninguém sentar.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Divino X Ipanema

Domingo da depressão, decidimos, eu e o Maurício sair em aventura na busca do que comer, lá pelas dez, dez e pouco. Abusei todas as opções de restaurantes e lanchonetes que qualquer estabelecimento (ODEIO essa palavra, só idiotas usam) daquilo que eles chamam de 'centro cultural e gastronômico' (blehrg!) de Teresina tem a oferecer, e que se resume a pizza, sushi e hambúrguer. Na zona Leste, boteco virou coisa fina. Você é mau atendido e paga caro num crepe sem sabor.

Aí veio a luz. "Ah, tem um lugar bacaninha que eu fui sábado, com os meninos", lembrou o Mauricio. "Lá vende taco!". Amamos taco. Nem pensamos duas vezes antes de atravessar a cidade de uma ponta a outra pra ir pro subúrbio. Sabe de uma coisa? O que eu preciso nessa vida é morar em bairro onde se possa comer cachorro quente a 3 reais em qualquer esquina, com muita maionese, por favor.

Não vou dizer onde fica nem o nome do bairro do tal local, porque tem gente que acha que ser suburbano é ser inferior, e tem vergonha de onde mora. Não posso com mente pequena. Mas enfim, o nome é Mult Sabor, e o que vende lá? Pizza, sanduiche, salgadinhos e TACOOO. Antes de chegarmos, o Mauricio me avisou que era beira de calçada. Achei ok nosso lanche atravessar uma avenida pra chegar até nossa mesa, mas oi? Era um beco, rua de pedra, não passava nem bicicleta.

E então, não tinha taco. Frustrados, nos rendemos a promoção da pizza grande com coca cola LITRO (de garrafa, #vemgente) por 20 REAIS. A dona do Mult Sabor, cujo nome era algo parecido com Vilma, Vera, não recordo, veio se explicar sobre os tacos: só tá fazendo sob encomenda. É trabalhoso e exige materiais mais raros, que estragavam porque o produto não tinha muita saída. Em Recife tem taco em qualquer esquina. Em Teresina nego tenta fazer algo diferente e gostoso e leva prejuízo. Triste.

Achei todo estiloso o garçom, todo de camisa social, calça engomada. Depois descobri: era marido da Vilma (Ok, defini) e tinha chegado do culto. Na mesa ao lado da nossa, (aliás, um conglomerado de 5 mesas) tinha uns amigos da igreja. Quando a pizza deles chegou, um cara chamou a bíblia inteira pra comer "Isaías, Jacob, Moisés, Pedro!" - era a prole. O menino mais novo jogava pedras numa gata buchuda próxima a um carro plotado com 'eu curto a benção'.

Na mesa do outro lado, quatro adolescentes conversavam sobre o fim de semana. "Tu foi lá na festa do Mocaminho?" - "Não, pagar 10 conto pra ver só gente feia?". Morri. Eles chamavam o outro garçom, Daniel, pelo nome. Daniel servia e entrava na conversa "E teve tiro lá, dessa vez?".

A pizza demorou horrores, mas não tínhamos pressa, só fome mesmo. Depois da desilusão com o taco, Maurício pensativo desabafou. "De repente me deu uma vontade de passar num drive thru e ir pra casa". Um pouco do garoto ZL (beijos, Thiago E ;*) vinha a tona. Desistir? Nunca. Até porque eu queria saber como tinha terminado a festa do mocambinho, beijos.

Pouco antes da pizza chegar, a Vilma veio avisar que os preços tinham sido alterados (sempre pra mais) e que o cardápio estava sendo reformulado, não sem explicar que 'a vinda do meu pizzaiolo exigiu novos gastos, né". Pagávamos a conta quando um cara de avental e boné se aproximou curioso "foi aprovada, a pizza?". Era o pizzaiolo, gente, em pessoa, vindo conferir a satisfação dos clientes. Isso é muito Divino!

Saímos satisfeitos e fomos convidados pela Vilma pra um show gospel no Mult Sabor. Não sabemos se na calçada, ou em novo espaço - o empreendimento passa por fase de mudanças. Esperamos. Porque o Divino pode ter mil vezes mais experiências de vida do que Ipanema sequer imagina, meus amores.

domingo, 24 de junho de 2012

À nossa casa

Estou fazendo esse registro com a força de quem deseja que as palavras tenham poder. Não há pretensões maiores do que poder mostrar a você, quando você existir, que um dia você foi pensada com força e desejo. Quero que você saiba que nada vai estar em você por acaso. Tudo, até nossos sapatos jogados despretenciosamente em seu vão, terão sido pensados com carinho, pode apostar.

É que ontem eu fui dormir sonhando com você. Imaginando o que eu vou sentir quando começar a levar parte importante da minha vida para dentro de você. Não será tudo, porque tudo será o que viverei depois de entrar por aquela porta e dar de cara com sua sala aconchegante e ampla. Aquele tapete acolhedor, a TV passando um filme velho e as gracinhas que farei pedindo atenção. O abraço no sofá que termina em amor, sem medo de ser interrompido.

Sua cozinha americana - gourmet é muito moderninho - e a geladeira vermelha com fotos na porta, conservando o pedaço de bolo da festa de ontem. Os copos coloridos que eu mesmo comprei, um a um, até formar aquele conjunto. Que drink vamos oferecer aos amigos? Teremos batatinhas e amendoins pra servir naquela bandeja artesanal comprada no mercado?

Consigo imaginar o corredor com aquela luz convidativa. Que quadros vamos pendurar ali? Um mural da família, as fotos daquela viagem - ele me olhando com os braços erguidos na praia, naquele fascínio que só o mar nos permite. Vamos entrar no banheiro? Não há um box, mas a cortina tem motivo de peixinho e as escovas de dente dos que amanhecem em você estão juntinhas como um par a namorar.

Seguindo adiante, a luz que entra pela janela reflete as cores da cortina que escolhemos juntos para lhe enfeitar. Ela balança com o vento, e consigo sentir, sentada na cama espaçosa - chega de torcicolo e dor nas costas. Um quebra luz ilumina a capa de um livro na cabeceira. Quem estará naquele porta retrato? Nossas roupas em uma arara, aquelas gavetas entreabertas na cômoda que herdamos e colorimos num domingo qualquer.

Um refúgio escondido em você guardará nossos livros e discos e terá uma vitrola linda no canto esquerdo. Vai fazer inveja aos seus vizinhos, nossos dias e noites musicais onde o som da música se confunde com o barulho da rede balançando, cabendo dois. Nesses dias não precisaremos de mais nada para ser feliz.

Mais tarde chegará um novo habitante, e você vai receber com muito afeto. Vamos afastar os móveis, espalhar brinquedos pelo seu chão. Vou proteger suas paredes dos lápis de cor, mas teremos de fazer pequenas obras, como armar um pula-pula no gramado. Não se espante se em alguma noite sua sala virar uma floresta de faz de conta, com nós três acampando com lençóis embaixo da mesa de jantar. Você vai adorar, eu garanto.

Em algum canto de você trabalharemos, noutros dançaremos ou comeremos - naquele meu jeito indisciplinado de comer vendo televisão. Vamos dormir e sorrir, de vez em quando chorar, mas uma coisa é realmente certa: seremos felizes como nunca. Quando esquecermos, mesmo que por um minuto, a sua lei, vamos olhar para uma quina entre a cozinha e a sala (aquela onde a Zoé bateu a cabeça dia desses e fez seu primeiro 'dodói') e nela vai está empendurado um pequeno objeto de metal com um segredo. Será a chave do nosso aconchego.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

como nossos pais

Tem essa parte, na entrevista do João Cláudio à Revestrés onde ele diz que todo mundo tem a sua tragédia pessoal e todo mundo é obrigado a fazer dela a sua história de vida. Pois bem, a minha tem sido descobrir que os meus pais são humanos, tão passíveis a erros quanto eu, você e aquele nosso amigo em comum.

Esse post era pra ser dramático, porque não pense você que foi fácil aceitar isso. Foram algumas quebras de realidade, mas depois um inusitado encontro de descobertas me fez sentir a brisa da ironia da vida batendo no rosto novamente. Fui à casa de Geraldo Brito. Este mesmo, violonista, que teve uma de suas músicas entre as melhores do país, fez shows em Londres, e foi o único piauiense entrevistado pela revista Player Guitar - que me mostrou deixando escapar um orgulho discreto. Mas não adiantou. Para mim, Geraldo Brito é o Geraldim, das histórias de mamãe: testemunha ocular da juventude de meus pais.

É que sempre ouvi falar do Geraldo em uma famosa história romântica. Mamãe contava que ele integrava o grupo que, liderados por meu pai, fazia serenatas pra ela. Na época, claro, em que serenata na janela valia mais que qualquer "relacionamento sério" no facebook. Mamãe conta, modesta toda, que quando ela saia na janela era motivo de confusão entre os rapazes, na disputa pelo seu olhar. Pois é. Geraldo, antes de ser esse mito, era só o cara que tocava violão pra minha mãe.

Aí que Geraldo deu um pulo quando soube minhas raízes geneológicas. No apartamento dele, com fotos do seu encontro com Gal e Caetano penduradas na parede, a pauta familiar se sobrepôs ao real motivo da minha visita. Geraldo contou que meu pai era conservador, careta. Choquei. Lembrei de uma foto que vi certa vez em algum álbum velho, onde meu pai aparecia cabeludo, de calça boca de sino, calçando tamanco e *pausa de reflexão* vestindo UM TOP. Nunca apurei o que esse estilo podia dizer sobre sua personalidade.

E então eu descubro que por trás de toda aquela rebeldia aparente havia um cara bem quadradão, que acreditava "nos princípios da família", risos. Tentava ser "da turma", nas batucadas de samba e rodinhas de violão, mas eis que chega a vovó e manda ele estudar fora acabando com a farra. "Naquela época a negada não tinha muito o que fazer não, então o negócio era beber cachaça e tocar violão". Pouca coisa mudou, Geraldo.

Minha mãe parecia uma indiazinha, morena, do cabelo liso beirando a cintura de medidas invejáveis dentro de um biquíni - mas usava Melissa aranha na praia, moda nunda foi lá o seu forte. Isso eu vi numas fotos dela e do meu pai no tempo de namoro. Vi também fotos promocionais de um show do Geraldo, praticamente dessa mesma época, nas quais ele aparece magrinho, cabeludo, de barbicha e calção de banho - não na praia, mas no rio Parnaíba. Não sei o grau da intimidade do trio, mas fiquei imaginando os três amigos, na coroa, tomando Antartica no fim de semana. Ah, anos 70 que não voltam mais.

Minha divagação acabou quando, na saída do prédio do Geraldo, cruzamos com uma vizinha que foi surpreendida com a notícia de que eu era "filha da Márcia". "Da Maaaaaarcia?? Do Seeeena?! Meldeos, crescemos todos juntos na Felix Pacheco! Eu e sua mãe aprontamos muito!" Fátima, não me esconda nada. Ambas desfilaram numa escola de samba, espero que pintadas de glitter ou com tapa sexo.

Acho que daquelas serenatas românticas em diante, Geraldo nunca mais se afastou do violão. Minha mãe entrou pro serviço público e ha uns 3 anos encontrou Fátima enquanto escolhia hortifrutas no supermercado. Meu pai era Sansão - a vidaloka foi embora com o último fio de cabelo que a calvice, sem dó, o tomou. E minha dor é perceber que tem um pouco disso tudo em mim. João Cláudio estava certo. Todo mundo tem a sua tragédia pessoal e a minha é uma música do Belchior.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

um sonho stabilo

Acontece às vezes. Com certa frequência, até. Eu tô ali triste, deprimida, desencantada da vida, aí o Mauricio no topo de sua compaixão me leva a uma papelaria. Ele já tá acostumado em me ver comprando grafite de 30 reais e marcando os compromissos na agenda de cores diferentes (azul para Revestrés, preto trabalhos extras e vermelho para compromissos pessoais). Entende total.

Algumas pessoas ficariam felizes em bares, shoppings, churrascarias, galerias, teatro ou supermercado. Mas eu fico muito bem, obrigada, cercada por bloquinhos, envelopes, grampeadores, clipes coloridos, canetas e tubos de corretivo.

Não sei ao certo quando começou essa compulsão. Talvez ainda na fase escolar, quando minha maior ansiedade nas férias era pela volta das aulas e a compra do material escolar. Eu tinha 5 anos e 10 estojos de canetas diferentes - e olha que na época eu só escrevia "Vovó viu a uva", e de lápis.

Cresci, e continuo adorando as papelarias e a infinidade de objetos que ela oferece e que eu compro pra nunca usar. Sou sempre bem atendida. Deve ser pena, né. O vendedor olha e pensa "tadinha, 22 anos e ainda não saiu da escola". Mal sabe ele que meia dúzia das canetas que escolho vão se transformar em garranchos nos meus bloquinhos de repórter.

Vou sempre saber as novidades - ainda que eu me sinta uma múmia com as coleções do Ben 10 e afins. Os clássicos nunca saem da moda, e eu continuo feliz com canetas da moraguinho (com cheirinho da fruta) e sou super aberta a novidades como o Chococat (este, de chocolate). Minha paixão mais recente é o Paul Frank - tenho agenda e caneta do macaquinho.

 Meus amigos sabem ou adivinham esse meu vício. Já ganhei bloquinho da Marilyn Monroe, de uma loja do RJ, um bloquinho chique da Papel Craft e o mais recente, um moleskine de New York - presente da Tassia. Na minha lista de mimos de papelaria ainda estão um mini grampeador e uma calculadora do keroppi - ainda que na hora de somar as dívidas eu só use o celular. Não tem alegria maior do que levar pra casa, tirar as etiquetas, rabiscar coisas num papel qualquer e depois botar tudo no estojo. Até enjoar, e repetir todo o processo. Besteira pra você. Pra mim é terapia de vida.

Quer me ver feliz? Conjunto 20 cores Stabilo, R$79,90.


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

bruxa do condomínio

Briga de vizinhos é um clássico, devia entrar para as coletânias de contos ou algo assim.
Meu pai costuma dizer, em gratidão a alguém, algo como "Deus lhe livre de um mau vizinho".  Pode ser melhor do que benção, acreditem.

Tem essa síndica nova, a bruxa do 71. Ela é do tipo fofoqueira, te acompanha até o carro contando do fulano que joga lixo pela janela, da fulana que deixa o portão aberto ou do cicrano do 101 que possivelmente tem um gato (fofocas meramente ilustrativas). Isso sem você ter perguntado nada, dito nada, nem mesmo bom dia.

Pois bem, bruxa do 71 resolve botar portão eletrônico no prédio. Beleza, sou a primeira a apoiar. Apesar de não ter carro, sou solidária. Minha irmã solicitou o controle, e eu apenas a chave do portão para a entrada de nós, mortais pedestres.

Aí que a louca passou uma semana de zoada aqui embaixo, puxando energia, botando motor, e fuça vai fuça vem, temos o tal portão. Só que bruxa do 71 não avisou nem distribuiu controle pra ninguém. Daí esta sou eu chegando em casa, 18h30, após um dia exausto de trabalho, caminhando um quarteirão pra entrar pelo portão do outro bloco - que, graças, dá acesso ao meu ap.

Essa não é a primeira experiência ruim que tive com a bruxa. Alguns meses atrás, esbarrei com ela la embaixo, desesperada pela chave do depósito, que faz as vezes de bicicletário. Eu tinha uma cópia, porque guardava minha bicicleta lá. Ofereci a minha, ela aceitou e disse que a noite me devolveria. Aconteceu que precisei guardar minha bike lá e fui chamá-la em casa. Ela desceu e, ao inves de devolver minha chave, apenas abriu, trancou minha bike e disse "Quando precisar tirar, é só chamar. Vou fazer a cópia da chave pra mim". Três dias depois, repito: TRÊS DIAS DEPOIS, eu precisei da bike, fui na casa dela e nem sinal de vida. Liguei, bati, gritei e nada. Tava pra acionar o corpo de bombeiros, o IML, sei la. Aí, com toda a razão que tinha arrombei o cadeado para pegar o que era meu.

Bruxa do 71 espalhou para o prédio inteiro que "a louca do 202 tinha PERDIDO a chave e arrombado o depósito, destruindo o bem coletivo".

Mamãe até hoje me condena pelo ato vândalo.
Melhor quebrar o cadeado que a cara dela, argumento.

Essa é minha vida, Brasil












terça-feira, 10 de abril de 2012

Feriado em família

Até o blogger mudou, e eu aqui: na mesma.

Quem acompanha minha vida por aqui sabe que tenho esse hábito, de escrever coisas aleatórias sobre as micro-viagens que faço. É mais pra mim que pra vocês. Gosto de voltar aqui anos depois, reler e sentir um tsunami de nostalgia me invadir.

Teve essa viagem agora, na semana santa. Família se juntou e foi pra praia vê no que dava. Mas a paisagem do litoral foi mero cenário para a alegria que é primos e primas reunidos. Nossa farra mesmo era na casa.

Quatro quartos e três equipes-famílias. Estava aberto o Big Brother praia, com o quarto morcego, o quarto inflável e o quarto selva - onde cobra engolia cobra. Muito embora depois tenha sido batizado de suíte master, porque vovó cismou de que dormia no quarto do líder. Ali identificamos todos os personagens: tinha a mama (tia Raquel com toda sua instabilidade), o João Carvalho (tia Leda, que cozinhava pra não ir pro paredão) a Kelly (Hélida, que nunca se metia nas confusões) e até o mister (Felipe - se cuida Jonas). Quem chutou que eu era a Monique com todo o drama da obesidade acertou.

Não precisou mais que um dia pra formarmos o primeiro paredão, convivência é um negócio difícil. Mas nem era sobre isso que eu queria falar. Já fui em Parnaíba-Luis Correia zilhões de vezes, mas essa foi a primeira vez com tantos historiadores gabaritados para dar explicações tão lógicas sobre tudo. Ainda em Campo Maior, passamos pelo monumento da Batalha do Jenipapo e minha prima-sobrinha, Natália, uma indiazinha linda com toda curiosidade que seus 8 anos permitem perguntou do que se tratava. Tia Leda, toda inflada responde "Aqui é o marco de uma batalha onde nós piauienses vencemos". Tipo, aqueles túmulos são mera ilusão de óptica, minha gente.

Chegando em L.C, Mirinha sabichona sai com essa: "Ah, é aqui mesmo. Olha ali o saleiro, onde faz o sal". Passeando por Parnaíba, Felipe, o mestre diz cheio de pose: "Parnaíba é uma cidade de porto, por isso o Porto das Barcas". E eu também tinha que dá a minha: "É claro que esse rio bem aí é o Parnaíba, por isso o nome da cidade". Tio Walter disse que ha muito fez um passeio de barco por ali, no que perguntamos sobre o Delta ele afirma: "Não, ainda nem tinham inventado essas frescuras".

Imagem e Ação, um clássico das viagens em família, arrematou nossas confusões, não deixando pedra sobre pedra. Só precisa falar que éramos 3 equipes de adultos e a equipe com a criança de 8 anos venceu todas as partidas. Estou com dores abdominais de tanto rir.

Andei de banana boat, meu primo deu entrevista na tv, comi carangueijo e minha irmã virou um camarão.

                         senta na banana - hit do verão

Se semana santa é um período pra ficar perto de Deus, acho que cheguei bem perto disso.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vida de adulto

Comprar um sofá não é algo que se faça assim, ao acaso. É uma decisão importante. Você precisa avaliar o modelo, a cor, a qualidade do estofado. E principalmente, preços e prazos, não esqueça.

Pois bem, minha mãe cismou que quer um sofá novo. E já escolheu. É verde-musgo.

Tivemos que acatar a decisao e fazer a velha vaquinha familiar (que nesse caso resumi-se a um trio de endividadas) para comprar o móvel à vista. Fiquei pensando no que fazer com os velhos e esburacados sofás, e lembrei uma crônica do Antonio Prata sobre sofás boiando no Tietê.

Ontem fui a um sarau de poesia, carreguei Alencar comigo. Busquei ele no trabalho, abasteci o carro, estacionei no Pão de Açúcar para um rápido lanche. Sem bater em ninguém, acreditem.

Fiz duas entrevistas, dirigi pela rua a noite cantando Criolo. Senti saudade, muita saudade. Troquei um cheque, cheguei em casa, tomei Ovomaltine com torradas e li um livro. Dei risada com uma ligação de BH. Chorei de saudade. Fui dormir.

Hoje, 9 da manhã, outra entrevista. Encontrei ao acaso, uma antiga amiga. Mandei emails, fiz ligações, planejei um filme para o fim de semana. Já sinto o cheiro do almoço vindo ali da cozinha. A tarde vou ao centro, pago contas e a noite tem aniversário de sobrinha. Vou me entupir de brigadeiro e ir pra casa. Senti saudade, novamente, chorar só um pouquinho e dormir.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

- e deu Revestrés!



Hoje é o lançamento da Revestrés, revista cuja equipe tenho orgulho de participar. Foram três intensos meses de trabalho e ideias, e agora me sinto como uma debutante no dia do baile.

A Revestrés surgiu pra mim como uma luz no fim do túnel. E antes mesmo dela ter esse nome, já estávamos cheios de euforia e vontade de oferecer uma revista de qualidade ao público tão cansado de consumir publicações de moda e/ou fofoca. Nada contra. Compra quem quer, ler quem se interessa. Tem espaço pra todo mundo no mercado, e acho ótima essa variedade, esse boom que Teresina deu. Mas a Reves (como apelidamos nosso filhote com carinho) é outra coisa. Uma revista pra quem gosta de ler, com visão ampla pro mundo, mas com pezinho no Piauí.

Revestrés pra mim é Assis Brasil cansando a pilha do gravador. Samaria fazendo bolo pras 'visitas' num sábado de manhã. Wellington comprando cajuína quente. André me mandando mensagem em francês. Mauricio comendo picolé de milho no café da manhã. Reunião de fechamento no dia do corso do Zé Pereira. Celular do Alcides com toque 'as aguas vão rolaaaar'.

Foi divertido e trabalhoso participar disso. Quero mais, quero bem mais.
Vida longa a #Revestrés, minha gente.
Amanhã, nas bancas.

Ah, e só um pouquinho. Sigam: @derevestres

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Alô, fevereiro!

Volteeeeeeeeeei, Recifeeeeeee! Foi a saudade que me trouxe pelo braço (8)

Todo mundo devia, goste ou não de carnaval, passar esse feriado pelo menos uma vez na vida em Recife. Só digo isso.

Que cidade. Que pessoas. Que folia. Faço minhas as palavras de dona Onete, do Pará, quando subiu no palco do Rec Beat: "Vocês é que sabem fazer festa. Os outros estados ainda precisam aprender".

Dona Onete, aliás, 72 anos de pura formosura. Não tem nem como começar esse post falando de outra coisa que não seja ela, com seu charme e simpatia e o carimbó chamegado que botou todo mundo pra dançar a vontade. Ela entrou toda faceira e depois da primeira música já tava tirando o sapato, pedindo uma cadeira. Estava em casa. Puro encanto.


Sensualiza, dona Onete!


O carnaval multicultural de Recife pra mim foi dona Onete cantando Criolo. Criolo cantando Nelson Ned. Lulu Santos cantando Roberto Carlos. Zé Ricardo cantando Tim Maia. Roberta Sá cantando Caetano e dançando frevo. Karina Buhr cantando Alceu. Lenine cantando Alceu. Ney Matogrosso cantando Alceu. Todos, sempre, cantando Alceu Valença. Meu coração ficou foi bobo.

Se tem um nome que reinou nesse carnaval foi Alceu Valença. E é lindo ver um povo idolatrando seus artistas, suas tradições, sua cultura - isso vale também para o Galo da Madrugada homenageando Luiz Gonzaga, para todas as pessoas na rua usando o famoso chapéu do rei do baião e para todo mundo que ia ao delírio quando tocava Nação Zumbi.

Isso é o mais bacana do carnaval de Recife/Olinda. Não é uma festa de qualquer música para se acabar com qualquer cachaça (não que não tenhamos feito isso, mas pula) É uma festa pra exaltar suas manifestações culturais: o frevo, o maracatu, o caboclo de lança, os papangus, o galo da madrugada, os bonecos de Olinda. Na abertura dos shows no Marco Zero vi uma apresentação linda de um grupo de maracatu, que começava no palco e descia numa passarela para o meio do povo. Lembro de naquele minuto ter pensado: isso sim é carnaval.




Em Olinda vi algo igualmente fabuloso: um bloco de evangélicos, contra o tráfico humano. Eles subiam e desciam as ladeiras com seus tambores e eu pirei cantando "ele é o leão da tribo de judaaaaaaaaaaaaah", lembrando meus tempos de escola batista, risos. Achei incrível.


Olinda



Vamos aos pontos altos e baixos da #carnavaltrip

#altos
- Rápida passagem por Exu, a cidade de Luiz Gonzaga e a visita ao Museu do Gonzagão. Incrível pensar que alguém que nasceu no meio do sertão virou esse fenômeno reconehcido até hoje.
- Criolo na abertura cantando Morena Tropicana. Não teve quem não se arrepiasse.
- Show do Lulu Santos. Na chuva. Sempre a mesma fórmula, sempre bom.
- As marchinhas que tocavam nos intervalos dos shows e que faziam todo mundo continuar no pique.
- Um tiozinho passando por mim e dizendo "Você foi a única jovem que eu vi cantando Chico Buarque". Mal sabe ele que Sanatório Geral na minha terra faz escola, haha.
- Nossos tênis bem podrão secando atrás da geladeira pra aguentar o dia seguinte.
- Show da dona Onete. Sem mais.
- Show da Roberta Sá no pátio São Pedro. Eu dando carteirada de imprensa e assistindo no hot space ao lado de nada menos que Pedro Luis (e a parede? :P)
- Show do Mombojó e a galera pirando no reino da alegria.
- Show do Tibério Azul no Rec Beat. Não consegui chegar a tempo, mas ouvi de tarde ele passando o som e achei super.
- Bloco do agacha-levanta, que fez eu e Mauricio andar de cócaras por alguns quarteirões do Recife antigo.
- Morena Tropicana tocando toda hora, em todos os ritmos, em todos os cantos.
- Eu e Érika caprichando na make carnaval e cantando "Olindaaaaaaaa, quero cantaaaaaaaaaar a ti essa canção..." Música chiclete.
- Manchete do caderno especial de carnaval, na quarta-feira, do Folha de Pernambuco: "Chuva, suor e alegria". Um beijo ao repórter responsável pela referência ao frevo lindo de Caetano Veloso.
- Porto de Galinhas: o mar mais azul e lindo do mundo.

#baixos
- Não existe arrumadinho para os pernambucanos. Pelo menos não da forma como conhecemos aqui no Piauí. Em todas as barraquinhas de comida as opções eram carne e macaxeira. Calabresa e macaxeira. Charque e macaxeira. E a saudade de arroz, paçoca e creme de galinha? Érika não aguentou, pediu macaxeira com farinha e virou a piada, haheuiahe.
- Estacionamento a 10 REAIS. Isso faliu a gente e enricou flanelinhas pelos próximos dois anos.
- Olinda no dia do desfile de bonecos. Todo mundo viradão subindo e descendo ladeira na chuva e no sol num formigueiro de gente. A chuva atrasou o desfile e só vi os bonecos já desmontando :~
- Carro tentando passar no meio do povo em Olinda. Em duas palavras? Vergonha alheia.
- Show do Criolo no Rec Beat. SEM PEDRADA, GENTE. Compreendam, acho Criolo a revelação do ano e tudo o mais que a crítica anda dizendo. Adoro o CD. E foi justamente por isso que me decepcionei um pouco. Achei que o show perde muito em sonoridade em relação ao cd. Algumas músicas foram tocadas em versões estranhas. E aquele Ganjaman meio que enche o saco tentando interagir. Veja bem, Criolo não vacila em nenhum momento: canta e manda muito bem. Minhas considerações são sobre outras coisas.
- CERVEJA QUENTE. Me desculpem, pernambucanos, mas aqui no Piauí é até crime vender cerveja escaldada, visse?
- Celular de Jurubeba a 5 reais. Se bem que isso devia estar em ponto alto, porque se fosse mais barata não sei o que teria sido de nós todos jurubêbados =X


P.S: As fotos que ilustram esse post são de Maurício Pokemon. Tem muito mais no flickr, podem olhar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O melhor carnaval do mundo

Depois do maior corso de Zé Pereira do mundo (em Teresina, beijos), estou aqui, na cidade brasileira de maior carnaval do mundo. Arrumei uma mochila, juntei uns amigos, peguei um all star velho, comprei porcarias perecíveis pra comer na estrada e vim para Recife.



Com a revista na gráfica e a sensação de dever cumprido, agora é hora de esbóoooornia. Nada melhor do que essa mistura linda de frevo e maracatu no Recife velho e um galo de 9 metros de altura avisando que o carnaval começou. A programação daqui não deixa a desejar, com show todo dia de um monte de gente e uma homenagem a Alceu Valença logo na abertura.

Porém, confesso que minha ansiedade maior está para o carnaval de Olina - primeira capital do Pernambuco, pertinho daqui - Não vejo a hora de está no sobe e desce das ladeiras no meio daqueles bonecos gigantes. Olinda, que aliás, este ano completa 30 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade. Olinda, que concentra centenas de blocos e agremiações completando até 100 anos de folia, consolidando assim o mais tradicional carnaval de rua do país. "Olinda, a magia para o mundo": temos sorte de vir para cá quando o tema do carnaval de Olinda é justamente Olinda. Tudo
programado, cê jura.



Mas ao invés de fazer inveja do meu carnaval - que de todo modo, só atinge a quem, como eu, ama a folia de momo - vim foi deixar um recado pra vocês. Neste carnaval, se permita. Pinte o cabelo de rosa, saia pra rua, dance uma marchinha velha, faça guerra de espuma, atire serpentinas, brinde com os amigos, agarre quem você ama. Esse é o espírito da coisa.

Volto na quarta, só as cinzas.
Bom carnaval.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Renata que eu já fui

Eu ia ler, juro. Mas minha mãe - que decidiu ler o mesmo livro que eu ao mesmo tempo, oi? - acabou de apoderar-se do meu livro e tá ali jogada no sofá. Só me resta escrever besteira. E hoje é besteira com todos os B's. Tanto blog sendo trucidado por ai, e eu com a cara e a coragem venho aqui falar de BBB.

O caso é Renata X Monique X Jonas. Não vou perder muito tempo explicando, porque né, quem não gosta do programa parou de ler ali pela terceira linha. Tenho muitas posições sobre muitas coisas que acontecem ali naquela casa, mas me chamou atenção o meio triângulo amoroso, simplesmente porque põe à tona e confirma uma história que eu soube desde sempre: homem não briga por mulher, mas mulher só vive no puxão de cabelo por causa de homem.

Ok, vamos a questão. Jonas ficava (ficou?) com a Renata nos primeiros dias de confinamento. Daí depois abusou a 'princesinha' - porque né, com aquela voz farinhenta quem não? - e saiu dizendo aos quatro ventos que beijá-la era como lamber um cinzeiro. A guria tomou altos tocos do mister, bebeu todas, chorou, disse até que queria sair da casa - ai ai, o que um amor não correspondido não faz. Loka de pedra de deixar 1 milhão pra tras. Ressentida, a coitada SÓ falava em Jonas o dia inteiro, e, opa, cometeu um erro que qualquer mulher mal amada esta sujeita: cogitou a possibilidade dele ser gay.

Pois bem, ai Renata começou a partir pra outra: um chove-não molha danado com o Ronaldo (xispa, elimando). Nada rolou, mas nesse meio tempo a loira chega pra Monique e diz 'se quiser ficar com Jonas, ok. até me ajuda'. Monique, que não é besta nem nada, agarrou o mister mais sem sal do mundo.


não chora, filha. a gente já passou por isso

Ai Ronaldo é eliminado, e Renata, que na verdade nunca esqueceu Jonas, começa a dar em cima dele deeee noooovo. Monique faz o que? Fica puta, lógico. A amiga tinha dado sinal verde, elas viviam de papinho - Até Bial chegou a dizer que adorava ver as armações da dupla - e agora ela faz o que? Leva o mister pra dormir com ela no quarto do líder e no outro dia chega na Monique com a cara mais limpa do mundo.

Monique não perdeu nenhum segundo e já tava la no quarto com os amigos falando de quem a pouco tempo atrás era a 'Rê'. Fez caras e bocas imitando os trejeitos da 'colega', p da vida porque perdeu o loiro. E o melhor de tudo é que Jonas não quer ninguém, tá ali só pra avacalhar. Mulé é muito burra mesmo.

Pra piorar as coisas, Renata chama Monique pra uma conversa onde a morena expos a quebra de confiança e blablabla e a Renata faz a cagada final: chama Jonas, pros 3 discutirem lindamente a relação. Pelamor, Renata tem o que, 12 anos? "A gente não sabia que ia ficar ontem, nera Jonas?". Sinceramente? Merecia três tabefes pra largar de ser égua. Quando Monique sai da conversa, ela ainda olha pro loiro e diz 'e a gente, fica como?". E ainda prosseguiu contando mil coisas, que se aproximou de outro cara pra esquecer ele e outras vergonhas alheias, sem Jonas perguntar absolutamente NADA. Tomou na cara quando ele disse 'podemos continuar ficando, mas nada de grude". Jonas, esquece. Renata é um chiclete ploc.

Por que estou contando tudo isso? Porque vejo na Renata alguém que eu ja fui um dia. Ok, com 15 anos, mas quem nunca? Quem nunca parou de fumar pra conquistar um cara? Ou brigou com a amiga por causa de alguém que jurava ser seu grande amor? Ou tomou porre chorando horrores e dizendo que era muito burra e ia esquecê-lo mas passava 24 horas por dia criando situações pra encontrar, ver, e quem sabe ficar com ele só mais uma vez?

É vergonhoso, eu sei. Mas todo mundo já foi Renata nessa vida.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Eu que nunca fui a Nova York

Tenho dois contatos do face/twitter que estão em NY. A Barbie e a Sofia Coppola hipster. Não posso chamar de amigas, haja vista que Barbie estudou comigo no colegial e nunca trocamos confidências e Sofia Coppola eu nunca vi na vida - conheço de blog e por isso, tenho bem mais intimidade. Analise.

Ambas são jornalistas. Teríamos tudo para estar na mesa de um bar essa hora, trocando figurinhas sobre a profissão. Quer dizer, acho que Sofia Coppola não se daria bem com Barbie, e aliás, esse é o motivo verdadeiro desse post.

Barbie e Sofia estão em Nova York - olha que coincidência, no mesmo período. Dá pra ver a diferença cultural e intelectual gritante entre as duas, através do que tem postado na internet, em suas respectivas redes sociais. Pra começar, Barbie flopa minha timeline com fotos de tudo e todos: esquinas, bares, ruas, noite, dia, sapatos, cup cake, lojas, bebidas, amigos e até poses esquisitinhas ao lado de estátuas (?). Acho que até um floco de neve ela fotografou no seu (ui) iphone 4.

Sofia Coppola, por sua vez, com uma NY inteira pela frente pra explorar como se não houvesse amanhã, só perde tempo no twitter pra postar links pro seu blog - que aliás, sigo ha tempos. Seu texto é ótimo, o que nem espanta: Sofia é freela da Folha de São Paulo. O mais legal é seu estilo leve, mas não vazio, de escrever: cheio de referências e bom humor.

Pois bem, Sofia Coppola está fazendo uma cobertura da sua viagem a NY de um modo encantador. Barbie tem tentado fazer o mesmo, mas está mais preocupada em encher as redes sociais de foteeenhas sobre cada passo na city. Já Sofia é mais datalhistas, gosta de fotos em close, acha o belo e ao mesmo tempo inusitado em histórias sobre um povo, uma cultura - mas também é capaz de transformar uma tarde de compras em NY em uma experiência antropológica.

Vejam a diferença: Barbie e e Sofia estiveram no mesmo evento simultaneamente: a festa do Ano Novo Chinês em NY. Enquanto Barbie postava no face fotos de lá com caretas e legendas do tipo 'nooooossa, que bonecão grandão', Sofia Coppola explicava a importância da data nos Estados Unidos e trazia detalhes de um passeio no Museum of Chinese in America. Uma cobertura linda que me enriqueceu e, confesso, me encheu de inveja - porque se estivesse lá, era exatamente o que eu faria.

Por isso continuo amando Sofia.
E eu, que nunca saí do Brasil - e pelo visto ando sem muito o que fazer, temos de concordar - fico só por aqui falando das viagens alheias.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

2012, seu lindo

É, eu sei. Esse post tá atrasado.

O fato é que 2012 nem de longe começou da forma como eu imaginei. Do contrário, ainda nos primeiros dias de janeiro eu teria embarcado pra São Paulo com uma muda de roupa numa mochilinha jeans e um crachá da Editora Abril. Beijos, Teresina.

A história começa ha uns três anos, quando comecei a tentar o CAJ - Curso Abril de Jornalismo - Vou apenas linkar, pra quem não é da área entender, porque né, a ferida ainda tá um pouco aberta. Este foi o ano que cheguei mais perto de ficar entre os seleciondos e puf - morri na praia, literalmente, em Boa Viagem (Recife) - frente a frente com Edward Pimenta.

Em algum domingo de dezembro, quando saiu a lista dos selecionados para o #CAJ2012, muita gente foi dormir sorrindo. Eu apenas virei a noite chorando.

Mas a sorte, caros amigos, virou a meu favor. E eu completei meus 22 anos numa linda reunião de pauta. Pois é, tô de trabalho novo. Não temos a estrutura de uma Abril, mas não perdemos nada em ideias e força de vontade pra concretizá-las. Mesmo que meio assim, de revestrés.

Como eu lembro que fiquei uma pilha nas seleções do CAJ, vou ser solidária com quem pretende tentar nos próximos anos. Vou divulgar meu texto selecionado pra galera se inspirar e ver como nem é coisa de outro mundo (Ok, fui selecionada entre mais de 2 mil pessoas em todo o Brasil e isso dá um puta gás)

Eu não posso mais tentar, uma vez que já completei um ano de formada =\ A não ser, quem sabe, se me aventurar em outro curso. Publicidade, quem sabe. 2012 veio pra surpreender.

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TEXTO CURSO ABRIL

Sou Luana Sena, tenho 21 anos e não tenho unhas. Não consigo me livrar desse hábito que adquiri ainda na infância. Vão-se as unhas, ficam as ideias. O Sena vem do meu avô que, além de sobrenome me deu casa, estudo, comida e apoio. O último, e nem por isso menos importante item, pode ter sido o responsável pelo meu ingresso nessa corajosa e louca empreitada de ser jornalista em Teresina. Isso mesmo, no Piauí.

Terminei a faculdade em dezembro do ano passado. Não sei dizer exatamente o que me levou a escolher isso como profissão. Falar da minha intimidade com as palavras desde cedo seria apropriado para este parágrafo, mas não tão interessante. Aluna 10 nas redações, comunicativa, amante da leitura, características que podem não ser requisitos para se tornar jornalista, afinal, jornalismo não é literatura (embora meu maior prazer seja misturá-los). Mas para mim, um grande jornalista é, antes de tudo, um grande escritor.

A escola ficou pra trás e sinto saudade daquele tempo em que no jogo da vida após a formatura vinha apenas uma curva pra esquerda e o casamento. Ledo engano. Tudo que consegui foi uma contratação no jornal onde estagiava, o que no mercado local é uma vitória, mas que ainda estava longe do meu sonho de ter uma revista pra chamar de minha.

Apesar de querer trabalhar em revista, reconheço que foi no jornal que eu tive as maiores experiências sobre ser repórter – para mim, a única função pela qual vale a pena ser jornalista. Conhecer pessoas, histórias e mergulhar em outras realidades. Todos os dias, ao sair pra rua, abro mão de um pouquinho de mim para entrar no mundo dos outros.

Estava bem ali, no olhar daquelas pessoas sem água numa vila, no desabafo do homem sobre a violência que levou seu filho e no grito de protesto de funcionários em greve o sentido de trabalhar com comunicação. Quanta pretensão a minha dizer isso, mas todos, de alguma forma, precisavam de mim, seja para intermediar um problema ou para dar voz a uma massa nem sempre ouvida e por vezes desinformada. Me sinto útil assim, e acho que a vida é muito curta para que a gente passe por ela sem fazer algo pelas pessoas e pela história.

Mesmo com tantas especulações sobre os rumos de uma profissão tão importante para a sociedade, eu estarei aqui, escrevendo. Pode ser em laptops, e-books, Ipods ou quantas inovações surgirem. Pode ser que ninguém compre, acesse, clique ou leia o que eu tenho pra falar. Pode ser por dinheiro, prazer ou pelo simples fato de botar pra fora o que estou sentindo e o que precisa ser dito. Pelo menos, enquanto houver alguém escrevendo, há esperança.