segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre meninas e neve

A maior prova de amizade que uma mulher pode dar a outra é apresenta-la sua cabelereira. E, quando na verdade nem éramos ainda tão mulher assim, a Tássia me deu essa prova. E ali, toda menina moça como sempre foi, ela ajudou a mudar o meu cabelo e a minha vida.

Seria até pecado da minha parte dizer que esse foi o maior legado de nossa amizade. Nem de longe. Clube da lulyzinha, cachorro-quente da maçonaria, sorvete napolitano com calda de chocolate quente. Essas foram só algumas das delícias que eu dividi com a menina que na infância matava os pintinhos de estimação do irmão. Lembrando assim, parece tudo tão longe. Aquelas tardes de domingo em que, jogadas na bagunça-organizada do quarto roxo, discutíamos sobre os nossos romances colegiais com a mesma intensidade e relevância com a qual decidíamos para que curso prestar vestibular.



É que naquele tempo, parecia tão natural chorar ouvindo Los Hermanos, quanto entrar no shopping correndo e gritando pra ver um filme do Johnny Depp. Ficar mal nas provas bimestrais, mas sofrer muito mais porque os carinhas da escola (aqueles por quem nossos corações imaturos tratavam logo de se apaixonar) não ligavam no dia seguinte. Caminhar do Inec ao Diocesano com o único propósito de almoçar porcaria no fim da aula e se sentir feliz com uma carta, um bilhete ou um origami pra pendurar na lâmpada. Passar o carnaval jogando Imagem e Ação e tocando violão pelas ruas da Morada do Sol as 3 da madrugada como se fosse um bloco de rua. Na verdade, era meio que nosso bloco ali. E precisava de uma avenida toda pra gente passar.

De vez em quando eu acho um pedaço dessa época em agendas, cartas, diários ou rabiscos num caderno velho qualquer. Tudo isso fazia parte do nosso mundo, que no auge de uma adolescência tão efusiva, não ultrapassava os poucos quarteirões do bairro que até hoje nos separam – separavam. Hoje tua vida vai traçar alguns quilômetros a mais nessa história, te levando pra tão longe, e eu podia jurar que já adulta seria fácil viver dessas lembranças de menina. Mas ainda é tão difícil dizer tchau hoje quanto naquelas tardes de domingo na tua casa, acredite.



Esse texto era pra ter um pouco mais de gratidão, e menos de melancolia. Acho que tem um pouco a ver com a proximidade do meu aniversário, e a lembrança de um 16 de dezembro tão especial em 2006, quando tu me fez descer de pijama as 6 da manhã pra ser a primeira a me dar parabéns e me entregar teus presentes preparados com tanto carinho. Esse ano, tu nem vai tá aqui, e eu vou me encher de saudade e alegria por tudo ter dado tão certo pra ti.

Sabe o que é melhor de tudo? Ter conseguido uma despedida num show do Zeca Baleiro, porque, se há algum cantor que marcou essa amizade, sem dúvida alguma foi ele – dos planos pra roubar o meu colar de palheta ao apelo por um bis numa cartolina, lembra? - Foi em grande estilo, vai, confessa. Então vai, pintinha, segue o teu caminho, vai ver teu floco de neve. Porque aqui, a saudade ainda vai bater no teto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Naquela estação



Se não me falha a memória, essa foto vai fazer 4 anos no ano que vem. Essa foto, que marcou um significante período da minha vida – um período cinza, sombrio e de espera - foi tirada pelo Maurício Pokemon, aquele amigo legal da faculdade, antes é claro, dele se tornar o que é hoje para mim.

Uma menina magricela, de cabelos assanhado e coletinho, observa o horizonte numa intrigante perturbação: "Pra que os trilhos, se não passa o trem?”. Um local de embarque e desembarque vazio e triste, numa simetria harmoniosa de sombras e contrastes. Era igual, igualzinho o meu coração. Era como um raio-X. Posso dizer, com certeza, que essa é uma das melhores fotos que eu tenho. Mas como aquele garoto conhecia tão bem o que se passava dentro de mim?

Essa foto, tão explícita e reveladora, foi apenas a primeira de muitas que ganhei daquele que até hoje tem gosto em me fotografar. De lá para cá, foram lentas e deliciosas as conquistas – como convém a descoberta de um grande amor. Eu fui ganhando tempo, espaço, importância, um blusão pra dormir e uma escova de dente no banheiro dele.

Hoje, dia 12 de dezembro, completamos um ano e meio de namoro. Posso dizer que em todo esse tempo muitas fotos (mais felizes) foram registradas no papel e no meu coração. Feriados de curtas viagens, semanas de puro trabalho, domingos de intenso amor.

Uma vez, ainda na faculdade, lá pelo fim de algum período, perguntei-lhe: “E agora?”. Foi quando ele, daquele jeito meigo e sem dúvida no olhar, profetizou: “A única certeza que tenho pro meu futuro, é que você vai estar lá”. Eu estou aqui, e vou estar sempre, e não há qualquer outro lugar no mundo onde eu queira estar, se não a seu lado.

E quanto a foto acima, eu estava completamente enganada. Não havia porque esperar trem algum. Meu coração já estava batendo naquela estação.

(Te amo, poks ;*)