sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eu despedi o meu patrão

Essa foi a minha última semana no jornal em que trabalho. É a primeira vez em 4 anos que eu estou completamente despautada. Sem celular tocando, sem editor cobrando, sem chilique de entrevistado maluco. Sinto-me bem.

Antes que questionem de quem partiu essa decisão, adianto que foi minha culpa, minha tão grande culpa. Quero um tempo pra mim, resolvi me dá uma licença premium por conta própria. Em tempos de um mercado tão difícil e incerto, sei que parece loucura. Mas muitos entenderão os meus motivos, e mesmo que não, a mim basta minha mente e coração em paz.

O certo é que eu estava muito angustiada em escrever coisas que não acredito e conviver com pessoas que não admiro. Preciso de um tempo pra pensar na vida, nos meus projetos e sonhos. Reconstruir meu texto e rever meus princípios. Às vezes é preciso dá a cara a tapa, sair da rotina acomodada e pregar um susto na vida. Arriscar hoje pra ser feliz amanhã.

Foi bom o tempo que durou, admito, aprendi muito em quase dois anos por lá e, olha que coisa, fui feliz no período mais aperriado que passei: carregar DEZ suplementos nas costas e dar conta de TCC e estágio era exaustivo e motivador. E eu adorava. Passava muito tempo na rua e quase nada naquela redação fria - de sentimento, de emoção.

Mas, lá no fundo há um pouquinho de gratidão em mim pela primeira empresa que me contratou após o estágio. Não adianta dizer o contrário: todo estagiário quer, acima de tudo, ser contratado. É um tipo de mérito e reconhecimento pelo seu esforço em aturar todo o abacaxi que vai sempre pros iniciantes.

Só que esse deslumbre foi passageiro. Nunca fui igual aqueles produtores que mal pisam no chão nem a nenhum repórter que enche a boca e veste a camisa da empresa. Ponto negativo pra mim, nunca fui a funcionária perfeita, reconheço. Se adaptar aquele habitat, só vendendo a alma ao diabo, dizem. E fui covarde quando chegou o momento de negociar a minha.

(Abre parêntese)

Não generalizo, sabe. No meio do ninho de interesses e disputas, há joias raras. Garimpando dá pra encontrar. Tati, ô querida Tati! Se tiver chegado até aqui, você que foi a ponte que me levou pra essa nave-louca e foi também responsável pelas melhores matérias que já fiz, queria poder te dar mil abraços de agradecimento. Você merece tantas coisas que não estão naquele lugar. Você, que sozinha é teen, é criança, é moda e é beleza também, tem talvez a função mais importante em todo o jornal: atrair os jovens, os futuros leitores de uma mídia tão defasada. Mas perdoa, Tati. Eles não sabem o que fazem.

(Fecha parêntese)

No fim das contas, agora faço parte das estatísticas de desempregados com diploma embaixo do braço. Não estou triste, nem desesperada. Vou desligar o celular, fazer uma viagem, voltar pros meus livros e pensar no que fazer da vida daqui pra frente, porque, convenhamos, vocês acham mesmo que acaba ali? Pela primeira vez em muito tempo essa sensação de esperança e vontade de fazer mais por mim me invade o peito. Na verdade, está tudo só começando.

4 comentários:

  1. Como diz naquela música do Semisonic:
    "every new beginning
    Comes from some other beginning's end"

    Sorte!

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  2. Conhecer você foi uma das melhores coisas que me aconteceram nos últimos tempos. E melhor ainda foi reconhecer em ti uma amiga tão querida, encantadora, meiga, interessante, sensível, admirável...
    Entendo e apoio todos os motivos que levaram à sua decisão. Pra mim foi um privilégio ter trabalhado contigo e espero, de repente, poder trabalhar outras vezes.


    Sou seu fã!! Mil beijos (J.O)

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  3. Não acaba ali não! Tenha certeza!!!

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  4. minha primeira viagem, eu já fiz ,)

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