quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Momento Piovani

As pessoas pensam que jornalista gosta de polêmica. Ledo engano. Polêmica é um saco: dá trabalho, tem que ouvir um monte de gente e nunca se chega a lugar nenhum - principalmente, amigos, quando você está envolvido nela.

Essa semana protagonizei um belo espetáculo num portal de notícias da cidade de Castelo. Um professor entusiasta de la chegou (graças ao bom Google) ao meu humilde blog e ficou ultra ofendido com o post que fiz sobre minha ida ao Cachaçafest. Tomado por uma indignação e um sentimento de bairrismo gritante, ele leu coisas que, minha gente, juro: eu não escrevi. Não fiz nenhuma ofensa ao povo de Castelo ao falar que a casa em que fiquei estava em construção. Muito menos ao deixar claro minha ignorância em relação ao lugar. Não conheço a história de Castelo, não sou de lá, nem fui pra ficar.

Meu senso de humor, graças a deus, sempre me permitiu rir dos fatos, dos outros, das situações em que me meto e até - e principalmente - de mim mesmo. Acho que todo mundo ai dos coments rasgados de xingamentos devia primeiro ir fazer um curso rápido de interpretação de texto.

Uma amiga minha, cujo nome o sigilo de fonte me permite não revelar, me viu quase abalada com a situação e deu o melhor conselho ever: dar uma de Piovani, a rainha da phyneza em respostas no Twitter. Mas vou poupar toda a galerinha revoltada de ler as palavras 'rola' e 'chupar' na mesma frase, ok?

Pego no tranco amanhã às 8, eu deveria estar dormindo, sério. E quem vier com gracinha de Marauê pra cima de mim leva porrada, vô avisando.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sem coroa nem castelo

Tinha esse festival, em Castelo, de nome bem sugestivo, cujo conteúdo e atrações desconhecíamos. Foi considerando tudo isso que eu e o Maurício botamos uma muda de roupa nas mochilas e fomos até lá, conhecer o Cachaçafest.

Castelo do Piauí fica a umas duas horas daqui, e tudo que eu sabia sobre a cidade era que a fábrica da Mangueira - mais famosa cachaça do Piauí - ficava lá. Nada mais me lembro.

Alugamos um quartinho na casa da irmã do Jr, que "trabalha com turismo" (leia: aluga quartos e organiza trilhas para passeio na pedra do Castelo. Mais sobre isso logo abaixo). Uma simpática e digna dona-de-casa nos recebeu e cobrou 50 reais pela noite. Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Sem brinks: ela estava em construção, de modo que nada de móveis nem pintura nas paredes. Porta nos quartos? Artigo de luxo. Improvisamos com cortinas de lençol.



Despois do workshop sobre o uso do banheiro - não tinha água encanada. Banhamos de balde e canequinha, gente - fomos encontrar nossos amigos da banda Seu Chico. Cidade pequena é isso, né. Galera chegando e se esbarrando de cara: assim encontramos o Nego Grilo na varanda do Hotel Nobre, que de nobre mesmo só um bebedouro com água gelada e um salão com uma mesa de ping-pong empenada.

Foi lá no hotel que uma mocinha recepcionista, provável filha da dona, nos levou até o Seu Chico. Subimos dois lances de escada, ela bateu no quarto 16 e um senhor de bigode e samba-canção saiu na porta. A mocinha se mandou e nós ficamos sem entender nada. Seria o produtor? O pai de algum dos meninos? Explicamos estar a procura dos meninos da banda que se apresentaria logo mais no festival, e ele sem muita certeza respondeu: "Ahh. tão espalhados por ai". Maurício, muito curioso, questionou: "O senhor por acaso se chama Francisco?", no que ele respondeu positivamente - caímos total na risada.

Não demorou muito, encontramos Tibério descendo as escadas. Surpreso em nos ver, também gargalhou horrores com o prévio mau-entendido entre os chicos. Entregamos a ele nossa revista, ele agradeceu, fomos embora comer arrumadinho e, enfim, conhecer o evento. Final Feliz.

Veja você o quão cruel a vida pode ser ao lhe proporcionar uma noite à seco em um evento chamado CACHAÇAfest. Com crise de garganta, abraçava antiflamatórios a pelo menos um dia e meio quando, muito esperta, decidi afrontar a medicina: vou tomar uma dose de cachaça e amanhecer boazinha. Resultado? Uma Luana com febre e dores no caminho de volta pra casa.

Mas antes deu tempo de conhecer mais coisas, ok, não foi tão traumático assim. Já com as malas no carro, passamos na tão falada Pedra do Castelo, uma espécie de ponto turistico local. Juro por deus como não dava nada por ela. Uma pedra? No meio do sol quente? Vamos embora que é mais negócio, pensei. Mas daí Maurício me convenceu de que, se estávamos lá, melhor conhecer logo porque poderíamos *voz de profecia* nunca-mais-voltar. E fomos.



Quer saber? O ponto alto da viagem. Pagamos cinco reais a um guia muito engraçado, que nos levou até a pedra em formato de castelo - destrúido, é claro - que deu origem ao nome da cidade. E era aí que estava a graça. A cultura popular foi criando significados para cada formação rochosa: o salão de entrada, o quarto do rei, os locais ocupados por ex-votos e devotos de Nossa Senhora do Desterro, padroeira da região. E o mais impressionante de tudo: pinturas rupestres! Eu nunca, nunquinha, tinha visto pinturas de urucum (É isso, professor?) nas paredes assim, de perto. Só em livros de história e na tv. Imagino que a pedra do castelo seja assim uma prima pobre da Serra da Capivara, mas achei fantástico ficar tipo, cara-a-cara com os garrachos sem sentido do homem pré-histórico.

E voltamos. Sem cachaça, sem mais histórias e uma gripe dos infernos. Estou ha três dias sem pisar no trabalho, na cama com 39.

Fotos: Maurício Pokemon