segunda-feira, 4 de julho de 2011

Terapia ao volante

O leitor mais atento já deve saber que eu tô aprendendo a dirigir. Estou fazendo o tremendo sacrifício de enfrentar horas de tortura na baliza. Mais difícil do que saber o ponto ideal da meia embreagem é, amigos, acordar às 7 da manhã pra isso.

Mas o post não é sobre isso. Quero contar pra vocês sobre meu instrutor, a pessoa mais paciente do mundo. O nome dele é George, um cara alto, óculos de grau, tranquilão, aliança na mão esquerda - e uma impressionante agilidade no pé direito, capaz de acionar o freio antes que eu jogue o carro com tudo no veículo da frente.

Não vou ser uma boa motorista, não nasci pra isso - embora o George tente me convencer todo dia do contrário. “Tira esse não da boca, Luana. Tente, antes de ser tão negativa”, diz ele me ajudando a ligar o carro em momento de pânico em plena avenida. Quem nunca estancou no meio de um cruzamento não sabe o que é desespero.

Fiz da chatice que é aprender a dirigir um excelente momento de terapia. Eu estava produzindo uma matéria confidencial sobre medo de dirigir e conversávamos bastante sobre esse tema. Vez por outra minhas divagações eram interrompidas por alertas de "A seeeeeta, Luana" - menos 3 pontos.

Nos primeiros dias de baliza vivi momentos de pura tensão. A perna deu câimbra, calos surgiram em minhas mãos e eu não conseguia por nada engatar a ré. Olhava para todos os outros carros em treinamento, e apenas aprendizes solitários suavam a camisa e derrubavam cones - enquanto seus respectivos instrutores papeavam, falavam ao celular ou ouviam música em um banco da praça. Dei graças pelo George. Com os braços doídos, suada e descabelada, olhei para ele com os olhos marejados e sem mais esperanças. "Você precisa de um tempo, né? Vamos dá uma volta”. Ele me entendia.

Certa vez, acidentalmente, derrubei a baliza. Me justifiquei dizendo que pensava estar de 1ª, quando na verdade, a ré estava engatada. O instrutor-filósofo sorriu e disse: “Todo penso é torto”.

Hoje encerrei as aulas práticas e já começo a pensar no bicho-papão do teste. Não temo, só me sinto insegura em saber que estarei sozinha com estranhos em um carro que por tantas horas foi meu divã. Perguntei ao George onde ele estaria quando eu precisasse das suas cordenadas. "Vou está lá longe, torcendo por você". Obrigada, cara.

Um comentário:

  1. Eu derrubei a baliza NO MOMENTO DO TESTE.
    Reprovei, obviamente. E fui mentalmente chamada de burra por todos os presentes e observadores.
    Tudo bem, na segunda tentativa (e sem tempo restante no processo pra uma terceira) minhas pernas tremiam tanto que eu mal conseguia acertar a embreagem inteira, "avalie" a meia... Mas dei sorte, com senhores fiscais que, embora dessem indiretas de suborno durante todo o percurso, me passaram diboua. Sim, porque mérito não foi.
    Mas tô aqui, três anos depois, tentando aprender a dirigir de verdade.

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