quarta-feira, 22 de junho de 2011

Nossa primeira batida

Imaginem vocês milhares de pessoas desesperadas desejando voltar para casa a tempo do jantar após um enfadado dia de trabalho - e às vésperas de um feriadão. Multiplique essa cena por mil e pronto: isso foi o cruzamento proximo ao jornal que enfrentei nesta quarta-feira com cara de sexta.

Foi ai, nesse cenário lindo que é qualquer avenida de Teresina às sete da noite, que um caminhão arrastou o carro da minha irmã. Ok, não foi assim tão trágico. Eles andaram assim alguns metros 'coladinhos' e eu, que vinha no banco de trás, dei aquele grito que só convém a pessoas que se surpreendem com um enorme pneu de caminhão aparecendo na janela a seu lado.

Tudo aconteceu muito rápido. Em estado de choque, minha irmã desceu do carro e foi conferir o préjuízo. Quando me dei conta eu estava em pé, do lado de fora do veículo, chamando o caminhoneiro de idiota e perdendo toda a razão. Mas, calma, há uma explicação plausível.

Minha irmã comprou esse carro há uma semana. É um semi-novo, que a levou metade da poupança e que antes mesmo de chegar à nossa garagem já era personagem de uma pequena história de amor. Minha irmã perdeu o contato da dona do carro à venda que viu na rua e ficou por dias com a imagem dele na cabeça, desiludida. Até que, um belo dia, passando despretenciosamente por uma avenida, ela cruzou novamente com o carro dos seus sonhos. E soube ali, naquele instante, que ele seria seu.

O que eu queria mesmo era ter chamado o nada simpático senhor do caminhão em um canto e explicado a ele que, ao bater naquele Ford Ka prata ele não levou apenas um pedaço do para-choque, mas também dos nossos corações. Sentimentalismo à parte, o Ka mau chegou na família e já faz parte dela como nosso mascote: amamos não pelo que é, mas pela conquista que representa para nós.

Pode parecer pouco para você leitor, pra um outro motorista apressado que passou pelo local buzinando ou até para o caminhoneiro imprudente. Mas para minha irmã, que comprou o primeiro carro, para mim, que acabo de começar as aulas de direção e sobretudo para a minha mãe, que sempre denpendeu de ônibus ou carona, esse é sim um grande progresso.

Mesmo tendo medo, sempre sonhei em dirigir. Brincava com barbies dentro de caixa de sapatos vazias como se fossem veículos ultra modernos no meu mundo da imaginação. O dia de ter um carro para chamar de meu ainda não chegou - mas sabe? Nem reclamo. Minha irmã tem sido bem generosa comigo em relação às caronas e sempre fui feliz pelas conquistas dela, de maneira que agora, nesse momento, sinto toda a dor de quem vai enfrentar dias de carro na oficina e julgamento das pessoas.

Bom, ninguém disse que seria fácil, né? Minha irmã ganhou sua primeira marquinha de spray no asfalto e agora estamos gargalhando de tudo e agradecendo por ninguém ter se machucado - exceto pelo carro, que para nós é quase um ser vivo e está arranhadinho agora. E para os caminhoneiros locões de rebite, pensem sempre nos primeiros carros e conquistas dos motoristas a seu redor - e não estraguem suas felicidades, ok?

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