quarta-feira, 22 de junho de 2011

Para viver mil anos

"acho que se você viajar, talvez eu fique na fossa
talvez ninguém possa me consolar
acho que se você viajar talvez eu quebre a louça
e atravesse a Rebouças sem olhar pra lado algum..."


Tomei emprestado esses versos de Chico César para dizer que, sem Mauricio Pokemon não há mais nada. Ele tomou um ônibus para Gilbués - sul do Piauí - no último domingo, e me deixou aqui, cheia de ânsia e saudade.

Tô fazendo uma listinha das coisas que tenho para contar quando ele voltar, e olha, não tá fácil. Parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo: notebook quebrando, pautas furando e carros barruando. Não tive como mantê-lo informado de tudo, já que nos falamos poucas vezes ao dia, sempre muito rápido e sempre do mesmo jeito: voz tremida de saudade e desejo de que pelo menos um pouquinho do meu amor viesse de volta para mim naquele instante.

Sempre tive medo de amar alguém. Assim, desse jeito, de verdade. Não por prever desilusões ou mágoas, mas pelo simples fato de que, amar tão forte assim requer dedicação, entrega, zelo. Não sei zelar por muita coisa não. Perco canetas, estrago sapatos e meus livros estão sempre com as páginas sujas de alguma coisa. Zelar por um amor assim tão raro é outra coisa. Exige preocupações que antes não estavam por ali, na esquina do sentimento com a razão.

Desde que o Mauricio viajou, me pego pensando sem mais nem porquê se ele tem se alimentado bem, se está passando protetor solar e se cobrindo antes de dormir. Queria está por perto para ajeitar a roupa amarrotada, lhe fazer um rabo de cavalo descente ou mesmo avisar quando ele estiver usando pares de meia trocados. A sensação que tenho é a de que ele não consegue mais dar sequer um passo longe de mim. Quando na verdade, eu é que me encontro aqui completamente perdida...

Amar é zelar por essa outra vida que você escolheu para ser dependente a partir de agora. É saber e ter plena consciência de que você depende do bem-estar do outro para ser feliz e continuar seguindo. Até no amor somos meio egoístas. E eu, que nunca cuidei bem nem de mim, começo a achar que ninguém mais no mundo vai zelar pelo Mauricio como eu. Quanta pretensão, não é mesmo? O amor é pretencioso.

Não me lembro ao certo quando comecei a ficar assim. Foi em algum momento entre o primeiro 'eu te amo' dito de mansinho na lanchonete, até a despedida no domingo, enquanto ele colocava cuecas e máquinas fotográficas na mochila e eu pensava em maneiras de sobreviver pelos próximos dias. Antes do Mauricio partir, por via das dúvidas, refoçamos nosso trato: cuido de você, meu bem, você cuida de mim. E estamos conversados. Talvez essa seja a fórmula para viver mil ano juntos, e, se descobrimos mesmo o segredo, agora só faltam 999.

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