domingo, 27 de março de 2011

Domingo, brownie e pastel



Todo domingo é a mesma coisa: acordo tarde, almoço com a mamãe e fico esperando o Maurício chegar pra descobrir que nossos planos são simplesmente não fazer nada de útil. Cada um se esparrama num sofá, às vezes vemos um filme, noutras falamos da vida - nossa e das dos outros.

Pra quebrar essa rotina altamente exaustiva do domingo, resolvi me permitir uma aventura gastronômica na cozinha da mamãe. Com Céu e Arnaldo Antunes rolando no som, e munida de chocolate, trigo, manteiga, açúcar e oustros ingredientes, me aventurei em uma receita de brownie simples que pesquei na internet, num desses sites tipo, vovó palmirinha. (sim, eu acesso)

Não pensem que foi fácil acertar o ponto entre um bolo fofinho e um brownie suculento. Vasculhei várias páginas na net em busca do verdadeiro segredo do brownie e fiquei assutada ao encontrar tantas variedades e dicas. Cozinheiras expert afirmavam que o grande lance era tirar a delicinha do forno quando espetasse um palito e ele viesse sequinho. Outras blogueiras apostavam no palito com massa - garantia de um bolinho mais molhado, como condiz a um brownie verdadeiro. Há até quem indique fazê-lo em banho-maria, mas aí já era ter que esperar demais.

Na dúvida, apostamos mesmo foi em pedacinhos de chocolate em barra meio amargo, salpicados sobre a massa. Também derreti chocolate com creme de leite e manteiga, pra fazer a calda. E, acreditem: ficou uma D-E-L-Í-C-I-A.

Depois de tanto doce, veio a vontade suplicante de algo salgadinho. Ai a mamãe deu a ideia de pastel, que é fácil, rápido e muito gostoso.Inventei deliciosos pastéis de pizza, que se resumiam a recheio de queijo, presunto e orégano - mas o que vale é a intenção, gente.

Queria ter fotografado toda essa nossa fartura dominical, mas, acreditem, namoro um fotógrafo que anda sem câmera. Ah gente, domingo é dia santo, vamos lá, esqueçam a profissão. A dona do celular com câmera razoável, infelizmente, não chegou a tempo de pegar os pastéis antes de serem devorados por nós.

Comemos tudo, até espocar, e acho que vou ficar em jejum pelos próximos 3 dias para desencargo de consciência. O resultado da minha experiência na cozinha foi um braço doendo (sim, minha mãe não tem batedeira. O jeito foi mexer a massa do brownie a mão) e até um elogio da sogra com o bom e velho "já pode casar".

Terminando a comilança, eu e Maurício arrumamos esse blog pra ficar menos cegante do que estava. E esse post é só pra estrear o template novo mesmo. Até breve ;)

terça-feira, 15 de março de 2011

Moro onde não mora ninguém (ai, quem dera)

Tá certo que não sou lá uma pessoa tão simples de se relacionar, mas pra mim, a regra básica desse negócio de convivência é saber que a sua liberdade termina onde começa a do outro. Era assim desde o tempo do colégio, em que tínhamos de dividir a sala, a professora e o giz de cera com os coleguinhas. É assim pro resto da vida, a quem desejar viver neste mundo.

Morar comigo não é fácil. Se você me acha legal, agradeça agora mesmo por não termos de dividir o mesmo teto. Sou exigente, chata, reclamona e prezo muito pela minha individualidade: no meu espaço ninguém mexe, por favor.

Atualmente, moro na casa do meu avô, a quem eu amo como um pai. Mais três pessoas vivem aqui com a gente: Yolete, o Raimundinho e a De Deus. Estou falando neles porque me aturam mais que a minha própria mãe, com quem eu só convivo nos finais de semana.

Yolete chegou para cuidar da minha avó, e com a morte dela foi remanejada para acompanhar o vovô. É uma mãe solteira metida a espertalhona, tem um humor legal e uma voz insuportável. Esse Y foi ela que inventou no próprio nome. Ela dorme aqui, ou seja, enche o saco 24 horas por dia.

A de Deus é na verdade Maria de Deus. Está conosco há 30 anos e é diarista – cuida da cozinha, produz café, almoço, merenda e janta, pra quem quer que apareça. Viu praticamente todo mundo da família nascer, carregou no colo, cuidou do machucado e preparou gemada pra todos os meus primos. Seus destaques são o beiju – que fazia todo mundo da família se deslocar pra cá as 6 da tarde no tempo da vovó – o arroz de festa e a canjica – responsável por várias marcas de queimadura em seus braços.

O Raimundinho é praticamente recém-chegado. Ele veio para cá depois que o vovô saiu do hospital, e precisava de atenção especial em atividades como tomar banho, trocar de roupa, ir ao banheiro. Ele tem 16 anos, estuda a noite e é uma espécie de aprendiz de enfermeiro. É simpático, gente boa, cuida do meu avô com o maior carinho e gosta de assistir comédias bizarras na tv.

Ok, apresentado todos os integrantes desse BBB residencial, confesso logo que minha primeira indicada ao paredão é a Yolete. Não suporto gente que só sabe trabalhar ouvindo rádio – e o pior, as piores estações. Este, na verdade, é um mal de todas que passam por aqui. Antes da Yolete morou aqui a Cruzinha, jovem, engraçada, estilo mãezona: era amiga de todos os meus amigos e fazia hambúrgueres deliciosos pra galera. Era outra maria-rádio, mas pelo menos essa eu consegui adestrar com o tempo: emprestava a ela todos os meus cds de pop-rock, que ok, furavam de tanto ela escutar. Mas valia a pena acordar com Kid Abelha a todo volume quando se tinha 15 anos.

Hoje acordo com forró. Isso, entretanto, me incomoda menos do que o fato dela só falar gritando. Na verdade, meu avô escuta muito pouco, por isso é natural despertar nessa casa com gritarias sobre horas de remédios, perguntas sobre como anda o intestino ou como passou a noite e esses outros assuntos comuns a gente idosa. Até fofoca, aqui em casa, é no viva-voz.

Nossa última briga, no entanto, nada tem a ver com barulho. Foi por causa dos jornais de QUATRO dias de carnaval que desapareceram enquanto estive fora. Imaginem o escândalo que dei com o meu trabalho, meus arquivos, na lata de lixo. Não sou muito de briga, nem impor autoridade, até porque nem posso. Não pago o salário de nenhum deles. Mas acho importante estabelecer regras de convivência – e cumpri-las, dando exemplo - para depois poder cobrar de alguém que perturbe a minha paz.

Resolvido o impasse com os jornais, restam os problemas com volume da televisão, descuido com a limpeza da casa e enxerimento no meu quarto – isso é o que mais odeio, portanto, portas sempre trancadas. Mas quando passei a dividir a internet com o meu primo-vizinho, a coisa piorou, porque o modem fica no meu quarto e aturo ligações A COBRAR da Yolete a qualquer hora do dia pra resolver problemas de conexão. Não tenho cara de técnica em informática nem atendente da Velox, mas enfim, paciência.

Por fim, me resta sempre compreender e aceitar a maioria dos incômodos ou chateações, porque eu sei, bem lá no fundo, que nada disso aqui é pra sempre. Estamos confinados numa mesma casa concorrendo a um milhão de reais cada um com seu motivo ou plano particulares. Uma hora ou outra cada um seguirá seu caminho e sobrarão apenas lembranças das conversas boas na hora do café, os risos com alguma piada velha contada pela de Deus e das vaquinhas para comprar pizza no domingo à noite – de alguma forma, mesmo longe de suas casas, todo mundo era feliz.