segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eu quero uma casa no campo

Foi no último dia dos namorados. Isso mesmo, essa data capitalista que faz com que os apaixonados troquem presentes e os mau amados se sintam um lixo. E eu, obviamente, fazia parte do segundo grupo, feito um saco plástico bem grande desses que os lixeiros recolhem no fim da noite.

E, sabe, a memória apronta cada uma com a gente. Lembro de um comercial de biscoitos que passava na tv quando eu tinha, ora, uns 4 ou 5 anos. Mas nem com todo esforço do mundo consigo lembrar qual roupa eu vestia naquela noite de junho. Lembro da praça, do banco e dele. A camisa de botão desabotoada. O sorriso largo no rosto. O nervosismo, a incerteza do momento exato, o minuto que antecedeu o beijo e aquele frio na barriga que, dizem, só se sente quando é deverdade. E foi.

Uma semana - ou teriam sido 4 anos? - foi o bastante para a certeza: era isso que eu queria pra sempre. Alguém pra falar mal do trabalho, dividir as angústias e sonhos, lanchar no domingo a noite, passear segurando apenas o dedo mindinho, abraçar apertado e dar beijo estalado, dividir o lençol e empurrar da cama de madrugada. Tava ótimo pra mim.

E foi ai que veio o que me pareceu ser a grande revelação sobre o amor. Namorar é muito mais do que dividir todos esses momentos. É um compartilhar enorme e maravilhoso, é uma doação tão grande de si, que transforma tudo na coisa mais gostosa que até hoje eu experimentei viver. É o almoço com a família, as piadas do tio, a lasanha da sogra. O domingo no parque, o fim de tarde vendo televisão, ou a conversa sobre o festival de 67 naquela viagem. A união e o companheirismo da família giram em torno do querer bem de alguém que, é claro, só pode mesmo se sentir a melhor pessoa do mundo. Quem disser que não ama assim, meu senhor, não conhece o amor.

Por muito tempo eu pensei e valorizei ser só. Hoje, não quero mais aquele apartamento com uma suíte, carro na garagem e passeio por quartos de hotéis solitários. Quero família grande, mesa farta, casa no campo, crianças correndo. Quero aquele abraço forte, aquele beijo gostoso feito coca-cola gelada numa tarde de sol. Quero aquele cafuné na ressaca, e aquele bom dia de voz rouca e dormida. Quero dividir o amor, somar alegrias e multiplicar todos os momentos juntos, sejam bons ou ruins - e pela primeira vez, isso não me parece um cálculo absurdo.

Quero tudo isso, e quero muito. Muito demais.

3 comentários:

  1. eita, eita...tantos sonhos se concretizando! tanta coisa boa acontecendo! planos e planos juntos, sabendo que serão reais! coisa boa está contigo! TMD =****

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  2. Ahh a Luana sempre escrevendo com maestria sobre o amor. Bem vivida, bem escrita e bem lida viu?!
    bjs

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