quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ela é demais

- Luana, a Tatiara é tudo isso mesmo?

Essa pergunta foi dirigida a mim dia desses, alta madrugada, no msn. E me fez refletir. Não que eu não tivesse a resposta na ponta da língua em imediatos dois segundos depois. Mas porque de repente eu me dei conta de que estava na hora.

Tatiara de França. Esse é o mesmo nome que eu lia ha uns 5 anos, quando eu só sabia que era quinta-feira quando pegava o jornal que jogavam no jardim e via ele. Lá estava, em formato compacto, cores fortes, fontes atraentes. Parecia feito pra mim. Era o Forteens. E, embora Tatiara de frança ainda fosse um nome completamente estranho para mim, seu filhote e projeto já fazia parte da minha vida.

Foi então que este ano aconteceu o que os mais apressados chamariam de obra do destino. Ou acaso, tanto faz. E eu consigo lembrar exatamente o primeiro contato que a loirinha fez comigo no Twitter. O que me surpreendeu, é claro. Não por uma proposta de emprego em um microblog, mas pela capacidade invejável de ser simpática e cativante e ao mesmo tempo tão profissional em um site de relacionamentos que eu ainda nem sabia usar direito.

Ai lá se foi eu, ansiosa e amedrontada, conhecer pessoalmente essa menina-mulher Tatiara. Enquanto ela, editora, tentava me explicar como funcionava mais ou menos a nave louca da redação, eu pensava como eram lindas as sapatilhas dela. Dividida entre a empolgação de um novo estágio e o fanatismo - por deus, era ela mesmo a mamys do Forteens? Um sorriso acolhedor, um olhar compreensivo, uma fala rapidinha de quem tem tanto o que ensinar. A Tati me conquistou, ali mesmo, sem nem pedir licença.

Hoje, ali, no computador ao lado dela, eu fico só babando enquanto ela fecha uma, duas, três mil páginas. Pode mandar, ela desenrola. Inspiração, é isso que ela chama de competência. E deve ser isso também que faz ela entrar no msn uma hora da madrugada para ver as fotos de uma entrevista e ir dormir imaginando como encaixá-las nas páginas coloridas só para valorizar o trabalho do fotógrafo. A Tati levanta a gente, te chama de linda e pergunta se tu fez a sobrancelha. 5 minutinhos de conversa já é o suficiente para se sentir bem, e esse talvez seja o seu maior dom. Não adianta, ninguém é parecido. E sabe por que? Porque ela ama o que faz.

Nem só aquele bolo de festa que guardou pra mim, nem os bloquinhos, canetas, squeezes, fitinhas de santo e camisetas trazidos de muitos cantos do Brasil são os responsáveis pela opinião que formei sobre a the França. Tem toda uma admiração e encantamento por trás disso, que talvez, um dia quem sabe, eu consiga explicar direito. Ela deixa meus dias mais felizes - mesmo ao som de Pitty - e menos cansativos - e juro, o fato de compreender os atrasos nas matérias nem tem nada a ver com isso, tá legal?

E sabe, eu tô aqui escrevendo curiosa pra ver o Forteens de amanhã. Porque sei que, mais uma vez ela vai me surpreender e me encantar com as sacadas de títulos, destaques e posicionamento das coisas de um jeito que só ela consegue fazer. E eu vou recortar e guardar na minha pasta de coleção, exatamente como fazia 5 anos atrás com as minhas cartinhas que ela respondia e publicava toda atenciosa no Forteens. Só que agora, é um contexto mais especial. Nossos nomes ali juntinhos, na cabeça da matéria, pode não representar nada pra você, leitor. Mas para mim, chama-se realização.

- Sim, ela é tudo isso e muito mais.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eu quero uma casa no campo

Foi no último dia dos namorados. Isso mesmo, essa data capitalista que faz com que os apaixonados troquem presentes e os mau amados se sintam um lixo. E eu, obviamente, fazia parte do segundo grupo, feito um saco plástico bem grande desses que os lixeiros recolhem no fim da noite.

E, sabe, a memória apronta cada uma com a gente. Lembro de um comercial de biscoitos que passava na tv quando eu tinha, ora, uns 4 ou 5 anos. Mas nem com todo esforço do mundo consigo lembrar qual roupa eu vestia naquela noite de junho. Lembro da praça, do banco e dele. A camisa de botão desabotoada. O sorriso largo no rosto. O nervosismo, a incerteza do momento exato, o minuto que antecedeu o beijo e aquele frio na barriga que, dizem, só se sente quando é deverdade. E foi.

Uma semana - ou teriam sido 4 anos? - foi o bastante para a certeza: era isso que eu queria pra sempre. Alguém pra falar mal do trabalho, dividir as angústias e sonhos, lanchar no domingo a noite, passear segurando apenas o dedo mindinho, abraçar apertado e dar beijo estalado, dividir o lençol e empurrar da cama de madrugada. Tava ótimo pra mim.

E foi ai que veio o que me pareceu ser a grande revelação sobre o amor. Namorar é muito mais do que dividir todos esses momentos. É um compartilhar enorme e maravilhoso, é uma doação tão grande de si, que transforma tudo na coisa mais gostosa que até hoje eu experimentei viver. É o almoço com a família, as piadas do tio, a lasanha da sogra. O domingo no parque, o fim de tarde vendo televisão, ou a conversa sobre o festival de 67 naquela viagem. A união e o companheirismo da família giram em torno do querer bem de alguém que, é claro, só pode mesmo se sentir a melhor pessoa do mundo. Quem disser que não ama assim, meu senhor, não conhece o amor.

Por muito tempo eu pensei e valorizei ser só. Hoje, não quero mais aquele apartamento com uma suíte, carro na garagem e passeio por quartos de hotéis solitários. Quero família grande, mesa farta, casa no campo, crianças correndo. Quero aquele abraço forte, aquele beijo gostoso feito coca-cola gelada numa tarde de sol. Quero aquele cafuné na ressaca, e aquele bom dia de voz rouca e dormida. Quero dividir o amor, somar alegrias e multiplicar todos os momentos juntos, sejam bons ou ruins - e pela primeira vez, isso não me parece um cálculo absurdo.

Quero tudo isso, e quero muito. Muito demais.