segunda-feira, 26 de abril de 2010

Essa canção não é repetitiva


Há cerca de um mês eu era outra pessoa. Alguém totalmente egoísta e voltada pros meus anseios e desejos. Eu estava fechada pro mundo, e não me permitia ter relações mais que superficias com as pessoas, geralmente por deveres e trabalho. Eu tinha preguiça das pessoas. Isso porque eu tava sempre focada apenas no que me parecia interessante ou atrativo.

E foi então que eu vivi a melhor experiência da minha vida. Ok, agora falando assim soa um tanto exagerado, mas estou tentando ser fiel as minhas emoções ao chegar do Erecom - Encontro Regional de Estudantes de Comunicação - que aconteceu este ano em São Luis - MA. Eu nem tava certa de ir, porque pra mim, movimento estudantil não passava de um monte de iludidos vestindo camisetas do Che Guevara, fumando, e dando uma de revolucionário.

Eu estava enganada. Completamente enganada. Ainda no ônibus rumo à ilha senti que a maior revoulução que esses estudantes poderiam fazer era em mim. Foram só 5 dias, mas o suficiente pra mudar completamente a minha maneira de ver algumas coisas. Eu vivi, naqueles corredores da UFMA - e fora deles também, porque pelegar é preciso! - os melhores momentos e as melhores histórias que eu gostaria de contar aqui, mas que, pra quem não viveu, vão parecer surreais. É um mundo paralelo, como alguém definiu em algum dia. Você está ali, cercado de pessoas que nunca viu na vida, e que de repente parecem ser essenciais pra continuação da sua existência. E em poucos segundos de convivência, ninguém conseguia mais definir quem era amigo de infância e quem tinha acabado de se conhecer, no fascínio que é sentir as relações.

Conversei, conheci, descobri, brinquei, bebi, dancei, me diverti horrores. Participei de um núcleo de vivência muito bom, com o pessoal do Quilombo Urbano, e de um grupo de discussão bem proveitoso, sobre distribuição de música na internet. Mas pra mim, o maior aprendizado ainda ficou por conta do coletivo. Do fazer pelo outro. Do entender que todos juntos somos capazes de fazer revoluções que começam dentro da gente mesmo e que podem vir a transformar o mundo de repente, e por que não? As minhas melhores lembranças ficaram por conta dos momentos mais insignificantes, aos olhos de quem não consegue perceber o mundo através das pequenas coisas. É algo sobre fazer cabaninha pra alguém se trocar. Socorrer alguém precisando enquanto todo mundo ficava estático. Procurar remédio pra curar uma febre. Comprar um lanche pra alguém que perdeu a hora do almoço. Carregar uma bêbada pro alojamento. Dividir seu colchão com alguém mesmo que, hmm, deixa pra lá.

O Erecom passou e hoje, com duas unhas do pé a menos, eu percebo e comemoro as mudanças que proporcionou em mim. É mais do que tentar resolver os problemas seculares na comunicação do país. É tentar e conseguir transformar a sua comunicação com você mesmo. Pelo menos, pra mim foi assim. A praia, as musiquinhas, as cachaças, as festas, o pico-pico, o meupal, os acordas, as pessoas e histórias incríveis que conheci estão registradas na lembrança pra sempre, o que é bem melhor do que no blog. Eu vivi tudo que foi possível viver naqueles espaços, e hoje, olhando as fotos e lembrando, meu coração fica apertado de tanta saudade de ser e agir de maneira que só fazia sentido ali, naquele ambiente, em meio a tantas pessoas loucas e incertas como eu. Mas vocês não vão entender. É inútil, é irreal. É como ouvir Rebolation e ter vontade de chorar, juro.

E hoje, eu não sou mais tão vazia. E, se eu pudesse fazer um pedido agora, seria apenas guarnicê meu batalhão de novo.

É isso ai. Que venha a Paraíba, então.

3 comentários:

  1. Belo texto, mto bom mesmo! Eu li e ficava passando um filme de todas aquelas coisas ótimas que aconteceram por lá...
    Abraços, Luana :D

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