quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Desgraça e glória dessa vida

Sou uma pessoa tão predestinada a fazer o que faço, que até nas horas de agonia meu refúgio é escrever. Isso se manifestou ainda aos 4 anos, quando, surpreendendo a todos, eu comecei a escrever e ler antes de entrar na escola - minto. Eu não lia ainda, mas escrevia meu nome direitinho, sabia todo o alfabeto e chamava o D de Sr. Barriga(?)

Sendo verdade ou não, o fato é que é difícil acreditar que o "destino" te reserve coisas boas quando quem trabalha feito um louco até muito além da conta é você. Chegando em casa sempre bem depois do almoço e encontrando a comida fria que eu não vou esquentar porque, além do fato de não termos um microondas aqui em casa (acho que quando meu avô e minha avó casaram isso nem existia, fato), botar a comida no fogo não vai fazer ela se transformar num bife de fígado acebolado com farofa do Sabor Brasil, que era o que eu queria comer exatamente agora. Ela vai continuar sendo a comida sem tempero da menina que trabalha aqui e que agora, aliás, está muito ocupada fazendo as unhas e não vai de modo algum se preocupar com a minha fome (e eu nem quero, porque A VIDA É MINHA O PROBREMA É MEEEU #solangeBBBalgumacoisa).

Só fazendo um esforço muito, muuuito grande, pra ser otimista em relação ao seu futuro vendo que na verdade, no presente, só você se ferra e abre mão de tantas outras coisas que gostaria de estar fazendo em nome de uma outra coisa que você nem sabe se de fato, fará. É o salário que vem pouco, as contas que se reproduzem assexuadamente por bipartição, os sapos diários que você tem que engolir e as pessoas insuportáveis que você tem que aturar diariamente com aquela cara constante de 'que dia lindoooo'. O céu tá nublado e, embora o tempo tenha fechado, a realidade parece finalmente estar se abrindo pra mim.

É difícil seguir sem motivação. E é difícil encontrar motivação quando o corpo pede uma rede, os olhos pedem descanso, e o coração quer um conforto. Eu penso em tudo que fiz até aqui, faço um draminha. Paro, respiro, e sigo em frente, com a certeza de que dias melhores estão por vir e, olhe bem, isso não inclui plantões nos feriados, porque isso é coisa pra quem ganha bem. Talvez eu chore depois, mas agora deixa sangrar. Deixa o carnaval passar...

2 comentários:

  1. Sr. Barriga!! rsrsrrs
    Esse lance de abrir mão de outras coisas mais divertidas para fazer aquilo que achamos que é certo será uma constante na nossa vida daqui pra frente.
    E tenha certeza. Chegaremos lá.

    bj

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  2. Isso se chama depressão pré-plantão-de carnaval..rsrs

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