sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sobre meu casinho secreto

A De Boa me consome. Fui comentar isso com o Diego essa semana, e ele tentou me consolar, mas não é pra ter pena. Eu gosto. É uma relação doentia, eu sei. E sinto muito em estar envolvendo todos vocês nisso, mas preciso dizer: ela me maltrata, me tira o sono, e me tortura nas sexta-feiras sem almoço no horário certo, mas não consigo me imaginar hoje sem ela.

Sou feliz por ter uma coluna. Acho chique isso. "Olá, fulano? Gostaria de pegar um depoimento seu sobre tal assunto... é pra uma matéria pra minha coluna no Jornal O Dia...". Tá certo que a coluna é do Diego,e já existia antes deu existir no jornalismo (iei, chemei de velho), mas deixa vai, tem minha fotinha lá também. A De Boa é minha fuga das matérias jornalísticas engessada cotidianas. É onde eu acabo de maneira ou de outra, expresando uma opinião sutil nas entrelinhas. Ou usando argumentos sobre tantos assuntos que ha tempso tenho guardado em algum lugar da memória. Gosto de escrever pra jovens, por fazer parte do grupo, e gosto de escrever pra adultos sobre o mundo jovem, que parece tão irreal e distante da realidade deles. E me surpreendo às vezes com o óbvio.

Eu nunca consigo terminar a matéria antes do prazo final para o fechamento. Sempre entrego ali, no último minuto, com todo mundo pressionando e depois de ler e reler, pensar na proposta novamente e achar que tá faltando alguma coisa. É que mesmo sem conseguir escrever sequer uma linha do texto com antecedência, eu tenho necessidade de pensar na pauta da vez durante todos os dias da semana. É uma espécia de construção de ideias. Me sinto a Carrie de Sexy and the city, que conversa com as amigas sobre sexo e relacionamentos durante toda a semana e depois escreve sua coluna, num misto de conclusões fundamentadas nas experiências das colegas e muitas vezes nas suas próprias. Só que a De Boa não fala só de relacionamentos, e iso é legal, porque me permite passear por tantos outros assuntos. E a parte mais legal da construção da pauta da semana, são as conversas de bastidores e os momentos de discussões na redação. Alguém que conhece alguém que fugiu de casa com o namorado, que usa anabolizante, que ama ou odeia o formspring, que adora micareta e que está em dúvida sobre o que ser quando crescer. E as histórias vão surgindo aos montes.

Não consigo explicar, mas é um troço complicado e trabalhoso. O resultado é sempre bom. Acho que porque até agora nunca aconteceu de uma pauta cair de última hora, o que seria desesperador e um tanto quanto traumatizante - e por isso agradeço a todas as psicólogas que se dispuseram a falar comigo na hora do almoço e ao editorzinho que tem a paciência de esperar as vezes até 4 da tarde, hahaha. Tomara que eu continue nessa relação totalmente submissa com a De Boa, que surgiu assim do nada na minha vida, como um desafio qualquer, e acabou virando minha prática mais prazerosa ultimamente.

P.S: O engraçadinho que disser que eu estou precisando de outra "prátia mais prazerosa" vai se ver comigo, ok.

P.S 2: Faltou a propagandinha básica, né? A De Boa sai no caderno Torquato do Jornal O Dia todos os sábados. É feita por mim e pelo Diego Iglesias.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Desgraça e glória dessa vida

Sou uma pessoa tão predestinada a fazer o que faço, que até nas horas de agonia meu refúgio é escrever. Isso se manifestou ainda aos 4 anos, quando, surpreendendo a todos, eu comecei a escrever e ler antes de entrar na escola - minto. Eu não lia ainda, mas escrevia meu nome direitinho, sabia todo o alfabeto e chamava o D de Sr. Barriga(?)

Sendo verdade ou não, o fato é que é difícil acreditar que o "destino" te reserve coisas boas quando quem trabalha feito um louco até muito além da conta é você. Chegando em casa sempre bem depois do almoço e encontrando a comida fria que eu não vou esquentar porque, além do fato de não termos um microondas aqui em casa (acho que quando meu avô e minha avó casaram isso nem existia, fato), botar a comida no fogo não vai fazer ela se transformar num bife de fígado acebolado com farofa do Sabor Brasil, que era o que eu queria comer exatamente agora. Ela vai continuar sendo a comida sem tempero da menina que trabalha aqui e que agora, aliás, está muito ocupada fazendo as unhas e não vai de modo algum se preocupar com a minha fome (e eu nem quero, porque A VIDA É MINHA O PROBREMA É MEEEU #solangeBBBalgumacoisa).

Só fazendo um esforço muito, muuuito grande, pra ser otimista em relação ao seu futuro vendo que na verdade, no presente, só você se ferra e abre mão de tantas outras coisas que gostaria de estar fazendo em nome de uma outra coisa que você nem sabe se de fato, fará. É o salário que vem pouco, as contas que se reproduzem assexuadamente por bipartição, os sapos diários que você tem que engolir e as pessoas insuportáveis que você tem que aturar diariamente com aquela cara constante de 'que dia lindoooo'. O céu tá nublado e, embora o tempo tenha fechado, a realidade parece finalmente estar se abrindo pra mim.

É difícil seguir sem motivação. E é difícil encontrar motivação quando o corpo pede uma rede, os olhos pedem descanso, e o coração quer um conforto. Eu penso em tudo que fiz até aqui, faço um draminha. Paro, respiro, e sigo em frente, com a certeza de que dias melhores estão por vir e, olhe bem, isso não inclui plantões nos feriados, porque isso é coisa pra quem ganha bem. Talvez eu chore depois, mas agora deixa sangrar. Deixa o carnaval passar...