sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

E se a dor é de saudade...

Hoje troquei a Bohemia gelada com os amigos por me sentir estranha. Em outras ocasiões, a estranhice seria só mais um motivo pra ir pro bar, mas não hoje, só hoje. Um tempo comigo e com as minhas lembranças não vai fazer mal algum. Sem olhar fotos, ou ouvir músicas saudosistas, consegui pensar em coisas e tempos que me enchem o peito de orgulho e saudade de ter vivido. É estranho pensar que aquilo tudo passou e que eu nem tive a oportunidade de dizer que queria continuar naquele momento - pra sempre.

Senti saudade de ir cantando no carro durante a viagem porque aquilo tudo merecia uma trilha sonora. De comer biscoito com gosto esquisito e viciante, e tomar café na beira da estrada, na barraca daquela senhora simpática que deixou a gente usar o banheiro cheio de sapos no fundo da casa. Senti saudade do vento batendo no meu rosto enquanto alguém comentava em como era diferente o tempo naquele lugar. Senti saudade daquele chocolate quente com canela, que é uma coisa horrível, mas que naquela hora parecia tão agradável ao meu paladar. A água gelada da cachoeira e a aventura de mergulhar no desconhecido, tudo por uma avetura que eu sabia, iria acabar. O frio. Senti saudade do frio. Não porque agora tá quente e não há previsão do tempo melhorar, mas porque o frio era motivo pra tantos abraços e beijos que faziam a noite durar.

Saudade estranha daquela música que eu nem conheço, mas que a gente pulava a faixa correndo antes que alguém pedisse pra deixar tocar. E de todas as outras noites em que fazíamos de tudo pro sol não aparecer e acabar com a festa. Senti saudade também do tempo que brigavam com a gente no trabalho porque eram tantas gargalhadas gostosas que incomodavam os que não tinham entendido ainda o sentido da verdadeira amizade. Da cantoria e dos apelidos no ônibus e do café da manhã na casa dos padres com aquelas pêtas deliciosas que foram discretamente surrupiadas. Da volta pra casa, do conforto do lar.

E acabou. Porque tudo que é bom acaba, dizem. E eu só fiquei com essas lembranças que embora pequenas, estrapolam os limites de uma fotografia qualquer e encharca tudo ao redor. Lágrimas, não sei se de dor, ou de saudade. Mas a saudade é de matar.

3 comentários:

  1. Saudade das tardes de conversa besta e sorrisos frouxos da redação! Bjuuus

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  2. Tambám tenho saudade das tais petas..

    Beijíssimo

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  3. Que texto fantástico. Saudade é uma coisa tão boa quando passa. Fica somente a saudade do que passou e ficou.

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