domingo, 10 de maio de 2009

Mais saudade que vem por aí

Quem liga pra saber se você chegou bem em casa em um feriado de ruas desertas? Retorna suas ligações sempre preocupada para saber o que houve. Te dá carona no meio de um temporal. Bota seu remédio dentro da bolsa, pra você não esquecer. Fala pouco dos problemas dela, mas tá sempre disposta a ouvir os seus. Diz que durante a cobertura do carnaval de rua da cidade, você pode ir pra casa antes dos desfiles terminarem caso comece a chover muito. Te deixa voltar em casa pra trocar a roupa molhada e não pegar um resfriado. Se preocupa com sua vida acadêmica como ninguém. Pára o trabalho no meio da tarde pra perguntar se você já bebeu água e manda você ficar de repouso atá a dor passar. Pensou errado quem achou que eu tava falando da mamãe. Apesar da data, a homenagem de hoje vai pra minha chefe.

Eu já tinha ouvido uma vez que nessa profissão (e eu suponho que em todas as outras), você toparia com chefes bons e ruins. Os bons, sempre do lado de sua equipe. Os ruins sempre escondendo os próprios erros atrás dos repórteres, quando ameaçados por algum superior. Eu tive sorte de logo de início topar com uma chefe das boas. E essa chefe é a Arlinda Monteiro.

Eu me lembro bem o dia em que a Arlinda me ligou dizendo que eu tinha sido uma das selecionadas pra trabalhar no portal O Dia. Até então, eu só a tinha visto no dia da entrevista em que ela fez um terrorismo enorme sobre o que era trabalhar com ela. Fiquei tão feliz com a notícia que nem tive tempo de ter medo. Corri pra lá, e começamos assim, acho que de cara, uma relação que surpreenderia a de chefe-estagiário. Isso porque a Arlinda é diferente. Ela não manda, pede. Ou, se você botar muito boneco ela manda sim, e ainda diz "se não quiser trabalhar tá cheio de gente ali na porta deixando currículo...". E eu tremia. Aliás, ainda hoje tremo às vezes quando ela me liga. Mas não pelo fato de botar em risco a excelente oportunidade que é estar dentro do jornal O Dia e sim pelo receio de perder aquele contato diário com alguém que virou mais que colega de profissão.

Arlinda sabe dosar perfeitamente o tom de chefe e o tom de amiga. E, enquanto todos me criticavam alertando que no jornalismo não existe amizade nem elogios, ela veio contra a correnteza, realizando isso que chamamos de cativar as pessoas. Arlinda contagia com seu carisma todo mundo que tá por perto. É tanto que nossos vizinhos da TV vivem querendo roubar minha chefe, mas eu não dou não, não mesmo. Hoje eu posso dizer sem mentir que tenho uma chefe-amiga. Por vezes mais chefe que amiga. Todavia alguém que conquistou um lugar autoritário e carinhoso na minha vida. E que agora vai me abandonar.

Apesar de querer muito prender ela aqui, eu sei que ela vai se dar bem, seja pra onde for. Eu já tô até quase me acostumando a me separar de pessoas de quem tanto gosto. Mas com a Arlinda foi diferente. Foi tão pouco tempo de convívio que chego a achar injusto essa separação precoce. Sinto não tê-la conhecido antes, sem ordens, sem puxão de orelha no trabalho. Mesmo assim valeu a pena. Mesmo que eu não cresça tanto na profissão como imagino um dia crescer, eu já me sinto bem realizada pela oportunidade de ter conhecido a chefa mais especial do mundo.

Vou sentir sua falta, Arlinda. Você é peça das raras.
E não pense que vou esquecer daquele papo de 'quando eu ficar rica e bem sucedida na globo mando chamar vocês pra trabalhar comigo', hein.

4 comentários:

  1. Agora foi minha vez de chorar na redação..rsrs...

    Amooo tu !!!

    bjuu

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  2. Oww... lindo texto Luana!

    Tô toda arrepiada aqui!

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  3. Lindo, lindo!
    Sorte a sua de ter uma chefa assim. ;]
    Não é todo mundo que tem esse privilégio.

    =*

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  4. Eu não me canso de ler este post =)

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