domingo, 31 de maio de 2009

Prova de fogo

Eu detesto domingo.

Porque a casa enche de gente. Porque é meu único dia de folga e mesmo querendo que ele dure mais do que 24h tudo que eu consigo fazer de produtivo é dormir. Porque mesmo fugindo, ecuto o Faustão ligado na casa da vizinha. Porque não passa mais Sai de Baixo, a Maisa não despreza mais o Silvio Santos e o Zeca Camargo com cara de bunda quer ser o garoto do Fantástico. Porque é quando penso em mil coisas pra fazer e não faço nada. Porque deixo toda minha tarde entregue a uma cama macia e grande e um seriado qualquer. Porque é quando me pego pensando: E cadê os domingos de sol? Os amigos ricos, as casas com piscinas? Cadê o cinema com o namorado? A fofoca no quarto da amiga sobre a festinha de ontem? E o pior de tudo é saber que o fim da noite representa o começo de uma segunda-feira prova de fogo.

Odeio, odeio, e sempre vou odiar domingo, já vi.
Sobretudo pela vontade de fazer tudo e qualquer coisa atropelada pela preguiça cruel e viciosa. E o desejo desgastante de comer um dogão com fanta uva quando tudo que se tem no bolso são dois reais pregados com durex.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Antes que seja muito tarde

No msn agora a pouco com a Ina...

Luana L. Sena diz:
*é horrível
*:\
*não desejo pra ninguém
*além do vazio na casa, a saudade, e as lembranças
*eu fico imaginando como vai ser daqui pra frente, a solidão de meu avô sem ela...
*e, eu sei que embora a gente não se acostume, não dá pra lutar contra isso
*mas a minha única vontade é que ela tivesse ainda ali na redinha dela, cumprindo a rotina de sempre por mais assim uns outros 90 anos ;P
Marina diz:
*o costume, é mt ruim de esquecer
*ainda mais tu morando ai e vendo teu avô
*mas tu vai ficar mais tranquila tb
tu vai saber dele, vai poder ajudar
chama o nonato prai, chama amiga prai, fica em casa com ele mais dias, fazendo companhia
*pra ele n sentir tanta falta dela
Luana L. Sena diz:
*aah, daqui não tem quem me faça sair mais ;P
*tô acordando cedo e saindo da aula mais cedo também, só pra passar mais tempo com ele
*depois que acaba é que a gente se dá conta o quanto podia ter aproveitado mais :~
Marina diz:
*com toda certeza
*mas adianta?
a gente comete esse mesmo erro a vida toda
*e qualquer pessoa que a gente goste, que for embora, a gente vai sempre ficar achando isso

***

E foi aí que eu lembrei que dia 13 tá chegando...

domingo, 24 de maio de 2009

O domingo mais triste de todos



É, vovó escolheu bem. Domingos sempre são tristes mesmo, né? De alguma forma a gente sempre vai ficar lembrando desse domingo que poderia ter sido mais um daqueles domingos que a gente tomava café com bolo de tardezinha, quando o povo chegava da missa. Mas tudo bem. Quer dizer, bem, bem, não tá não. Mas a gente vai continuar levando daqui, a lembrança daqueles olhos azuizinhos, cor do céu em dia de sol, e de toda a alegria que ela sentia quando via a família toda reunida em dia de festa. Todo mundo de bucho cheio, sentando ao seu lado pra contar o que é que há. Quando criança, me lembro ainda um pouco com pavor da insistência em me dar banho no quintal umas mil vezes por dia. A organização e zelo pelas coisas e terraços sempre limpos. "Essa parede aqui, fui eu quem construi, pedrinha por pedrinha, fui colocando.", ogulhava-se. A preocupação com nossa alimentação e estudos."Eu estudei em colégio de freiras, sou professora formada", dizia ela enchendo o peito e desejando que os netos seguissem o bom exemplo. Nunca vou esquecer todo o esforço e dedicação. Nunca.

Já na velhice, deu pra falar coisas profundíssimas. "Minha filha, você vai ser muito feiz. Você, você é das minhas. Você é daqui. Daqui de casa. Da nossa gente. Você vai arrumar um marido, um homem bom. Mas agora não, agora você é minha", dizia com uma profundidade tão grande no olhar que as vezes me espantava. Pegou o hábito de brincar com os botões do vestido, e recusou umas 10 bolinhas de fisioterapia que quase sempre trazíamos para ela. Por muitas vezes, discutia com o vovô. "Ô que o Sena é horrível! Bruto, bruto, bruto! Véi careca e bruto!", gritava bem zangada, porque ele não a deixava ficar puxando a bermuda dele, o que para ela era uma forma de carinho. Eram o casal perfeito. Ela birrava e ele não escutava. Mas tinham um enorme amor, um pelo outro e os dois pela família. Antes de ir para o quarto, toda a vida no mesmo horário, ela fazia questão de ir avisá-lo. "Seninha, eu já vou, você vai depois?". E a cena se repetiu por 92 anos...

Tinha carência por agarrar nas mãos das pessoas a quem queria bem. E ela só queria bem, bem demais, a todo mundo. "Eu lhe quero muito bem, minha filha. Você e sua irmã. Sua irmã tem meu nome, seu pai botou em minha homenagem. Mas você, você também tem um nome muito bonito. (pausa para reflexão) Como é mesmo o seu nome?" Ela já não lembrava. Mas reconhecia e se sentia confortável com minha presença. Como em tantas noites que acordei com ela conversando no meio da madrugada, e me sentava junto de sua rede para não deixá-la ter medo do escuro. "Eu não gosto de escuro", alertava, e as vezes rezávamos, noutras cantávamos...

E agora cada cantinho dessa casa me lembra os 20 anos em que passei com ela. E amanhã, quando eu não acordar com a briga que ela tinha todos os dias na hora do banho, com a mulher que a ajudava (já não andava, nem comia sem auxílio), vou sentir aquele buraco aqui dentro. Que não vai fechar assim tão fácil não. Todos os dias ao olhar pro vovô, seu companheiro a 65 anos e que sequer teve a oportunidade de ver a esposa pela última vez, eu vou morrer um pouquinho. Mas vou estar firme. Vou sim. Como prometi a mim, como prometi a todos. Mas hoje, não há nenhuma cantiga de ururbu dançador que me faça sorrir.

Hoje, só pelo menos por essa noite, o meu coração tá fechado, vó.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Discussão jornalística

Luana: Uma notícia do Lula cumprimentando uma ex-bbb é política ou entretenimento?
Cícero: Isso não é notícia.

domingo, 10 de maio de 2009

Mais saudade que vem por aí

Quem liga pra saber se você chegou bem em casa em um feriado de ruas desertas? Retorna suas ligações sempre preocupada para saber o que houve. Te dá carona no meio de um temporal. Bota seu remédio dentro da bolsa, pra você não esquecer. Fala pouco dos problemas dela, mas tá sempre disposta a ouvir os seus. Diz que durante a cobertura do carnaval de rua da cidade, você pode ir pra casa antes dos desfiles terminarem caso comece a chover muito. Te deixa voltar em casa pra trocar a roupa molhada e não pegar um resfriado. Se preocupa com sua vida acadêmica como ninguém. Pára o trabalho no meio da tarde pra perguntar se você já bebeu água e manda você ficar de repouso atá a dor passar. Pensou errado quem achou que eu tava falando da mamãe. Apesar da data, a homenagem de hoje vai pra minha chefe.

Eu já tinha ouvido uma vez que nessa profissão (e eu suponho que em todas as outras), você toparia com chefes bons e ruins. Os bons, sempre do lado de sua equipe. Os ruins sempre escondendo os próprios erros atrás dos repórteres, quando ameaçados por algum superior. Eu tive sorte de logo de início topar com uma chefe das boas. E essa chefe é a Arlinda Monteiro.

Eu me lembro bem o dia em que a Arlinda me ligou dizendo que eu tinha sido uma das selecionadas pra trabalhar no portal O Dia. Até então, eu só a tinha visto no dia da entrevista em que ela fez um terrorismo enorme sobre o que era trabalhar com ela. Fiquei tão feliz com a notícia que nem tive tempo de ter medo. Corri pra lá, e começamos assim, acho que de cara, uma relação que surpreenderia a de chefe-estagiário. Isso porque a Arlinda é diferente. Ela não manda, pede. Ou, se você botar muito boneco ela manda sim, e ainda diz "se não quiser trabalhar tá cheio de gente ali na porta deixando currículo...". E eu tremia. Aliás, ainda hoje tremo às vezes quando ela me liga. Mas não pelo fato de botar em risco a excelente oportunidade que é estar dentro do jornal O Dia e sim pelo receio de perder aquele contato diário com alguém que virou mais que colega de profissão.

Arlinda sabe dosar perfeitamente o tom de chefe e o tom de amiga. E, enquanto todos me criticavam alertando que no jornalismo não existe amizade nem elogios, ela veio contra a correnteza, realizando isso que chamamos de cativar as pessoas. Arlinda contagia com seu carisma todo mundo que tá por perto. É tanto que nossos vizinhos da TV vivem querendo roubar minha chefe, mas eu não dou não, não mesmo. Hoje eu posso dizer sem mentir que tenho uma chefe-amiga. Por vezes mais chefe que amiga. Todavia alguém que conquistou um lugar autoritário e carinhoso na minha vida. E que agora vai me abandonar.

Apesar de querer muito prender ela aqui, eu sei que ela vai se dar bem, seja pra onde for. Eu já tô até quase me acostumando a me separar de pessoas de quem tanto gosto. Mas com a Arlinda foi diferente. Foi tão pouco tempo de convívio que chego a achar injusto essa separação precoce. Sinto não tê-la conhecido antes, sem ordens, sem puxão de orelha no trabalho. Mesmo assim valeu a pena. Mesmo que eu não cresça tanto na profissão como imagino um dia crescer, eu já me sinto bem realizada pela oportunidade de ter conhecido a chefa mais especial do mundo.

Vou sentir sua falta, Arlinda. Você é peça das raras.
E não pense que vou esquecer daquele papo de 'quando eu ficar rica e bem sucedida na globo mando chamar vocês pra trabalhar comigo', hein.

Maldita infecção

Um antibiótico por dia. Um anti-inflamatório de 12 em 12 horas.
Meio litro de água a cada uma hora.
Um pantozol para aliviar o estômago.
Repouso.

Tudo isso pode fazer você não gritar de dor à noite, ou, em todo caso, piorar sua gastrite :D

sexta-feira, 8 de maio de 2009

8 de maio

19 anos da minha vida com preguiça de ligar o forno pra esquentar uma pizza de madrugada e aprendendo a fazer pipoca na panela de pressão sem queimar. E agora minha mãe me vem com essa de 'até as pessoas bem pobrezinhas tem microondas'. Ela é uma graça.

Às vezes dá até vontade de continuar doente só pra ficar mais na companhia dessa mulher e receber mais uns tantos de cuidado e carinho. Feliz aniversário pra minha mãe.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Barrabás, tcha tcha tcha, Barrabás!

Pausa no meio da semana pra cuidar de uma infecção.
Tanta coisa pra fazer e tudo parece tão impossível aqui de cima da cama...

Felipe estava coberto de razão: eu estava do lado do Barrabás no dia do julgamento.
Aliás, mais que isso. Eu era presidente do fã clube do Barrabás. Nada mais justifica...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

E esse verão que não acaba


Agora perdeu foi a graça.
Nem é mais aquela chuva bonita de poemas e canções. Alô, São Pedro, tem gente sofrendo com isso.

Foto: Maurício Pokemon