terça-feira, 7 de abril de 2009

E o bicho é cabeludo...


Pesquisadores desocupados de alguma cidade de nome estranho dos Estados Unidos apresentaram recentemente uma pesquisa que revelava o perfil realista e simbólico do que seria o inferno. Vocês viram como é? Não viram? Pois eu lhes conto agora, caros amigos.

O inferno abre cedinho, às 8h e tem um número limitado de senhas para atendimento diário: são 30. Geralmente, às 8h10 já tem esgotado todas. Em bancos desconfortáveis, senhoras de meia idade se queixam de espremedores de frutas comprados no Paraíba que só espremem laranja, quando na verdade, segundo o vendedor, deveriam espremer e triturar todo e qualquer tipo de frutas além de penerar as sementes. E o suco ainda tem que sair do negócio adoçado. Na porta central, ao lado de onde se pegam as senhas, um homem aparece de cinco em cinco minutos berrando nomes de pessoas comuns e chamando por vezes representantes de empresas como magazine Liliane, Marko Informática, Bradesco, Tim, Claro, Credicard entre outras. Na parede, uma plaquinha avisando que é proibido tocar fogo em postes ou entrar para audiências com tochas de fogo. No alto da porta de entrada escrito em letras grandes: PROCON.

E eu só posso mesmo é ter morrido e ter sido encaminhada direto para esse inferno sem ao menos passar pelo purgatório (eu sabia que esse negócio de querer chutar mendigo as vezes e não suportar criancinhas não me sairia impune). Peguei a senha de número 20 e esperei pacientemente. A queixa: um notebook que até hoje eu não vi nem a cor. Depois de 2 horas e meia de espera, sou chamada ao guichê 1, onde o cara me diz sorrindo depois de todo o meu desabafo: "hoje mesmo veio um caso desses aqui". Ainda achando tudo muito natural, o homem diz que iria realizar uma "triagem" e pede que eu aguarde até ser chamada. Ótimo, aguardar. Não faço nada mais que isso ha... 24... dias.

É interessante como quase tudo nessa vida gira em torno do nosso próprio umbigo. Eu estava pouco me lixando para a reclamação das senhoras sobre o Paraíba, mas de repente me ocorre que, se o Procon daqui não resolve problemas com as próprias lojas da cidade, imagine chamar uma empresa lá de São Paulo para uma audiência. Volto a sentir aquela sensação de impotência diante da situação. Me sinto ridícula ali, esperando num sei quem, pra fazer num sei o que, num sei em que dia, quando na verdadde tudo que eu preciso é de um computador que eu JÁ PAGUEI, diga-se de passagem, à vista.

E então uma mulher fanha me chama através do vidro. Eu chego lá achando que, pela demora de mais umas 2h o representante da saraiva tinha vindo via sedex embrulhado para mim, quando descubro que tudo que o Procon pode fazer por mim é: NADA. "Vamos mandar uma carta para a empresa dando um prazo de 10 dias para que eles nos comuniquem o ocorrido. Se nesse período o produto chegar, você entra em contato com a gente. Nossas audiências agora só serão marcadas para junho.Se necessário negociar com a empresa você deverá esperar até lá." Enquando isso meu cérebro processava todas aquelas informações: 10 dias, um mês, prazos, e mais prazos. Essa é aquela parte em que eu respiro fundo e digo um sonoro e retumbante: "Ok".

Pergunto se, em caso de querer cancelar o produto eu posso exigir o reembolso do dinheiro imediatamente. Ela me responde, adivinhem só, que a empresa, a bosta da porra da merda da SARAIVA, MESMO ATRASANDO EM 24 DIAS MEU PEDIDO, tem todo e total direito do mundo de pedir 7 dias para me devolver os MEUS SUADOS MIL E OITOCENTOS REAIS. É mole ou quer mais?

Pois bem. O cara do guichê ao lado, que havia me atendido anteriormente, aconselha: "pede o dinheiro de volta corrigido e ferra eles", e faz aquele gesto obsceno com as duas mãos. Excelete, tudo que eu precisava.


Volto pra casa abatida, desencantada da vida, e descubro que o meu computador, por algum motivo real ou sobrenatual mais conhecido como "priminhos capetas que esculhambam o computador dos outros" não está funcionando. Boa. Como se não bastasse o notebook não chegar, o pc velho ainda dá pau. Só podem é ter botado mandinga em mim, minha gente. Procuro uma tigela de farinha embaixo da cama, uma galinha preta em algum canto do quarto, mas não obtenho sucesso.

Opa, espera aí. Mas se eu estava no inferno e não tava morta, ao que tudo indica, pode ser que isso seja um pesadelo, não é mesmo? Daqueles bem reais, com coisas sólidas e concretas, sabe? Daqui a pouco aparece aquele bicho enorme que, dizem, corre atrás do pobre. E esse bicho, segundo meu pai, é cabeludo...

3 comentários:

  1. PQP ê falta de sorte. fosse tu quebrava tudo no procon
    aoeuihaiuhiauheiuah
    :*

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ahehe, é a urucubaca foi fuerte..
    Luana adorei o Blog! to linkando ;]

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